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Minas Gerais fortalece a pesquisa agropecuária Baldonedo Arthur Napoleão* Desde que foi criada, em 1974, até o final da década de 80, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) viveu tempos de crescimento e sucesso. Chegou a ter 2.700 empregados, foi modelo para outros Estados, inclusive para a própria Embrapa e, principalmente, deu expressiva contribuição ao desenvolvimento da agropecuária mineira e brasileira. A partir do início da década de 90, a empresa começou a experimentar um amargo processo de decadência por não ter recebido do Estado condições para pagar os reajustes salariais legalmente devidos aos empregados, e fazer as contribuições trabalhistas e o pagamento do Imposto de Renda. Conseqüentemente, a Epamig viu a criação e o crescimento de uma enorme dívida, que chegou ao patamar equivalente a seis vezes o valor de seu patrimônio. Em 2003, tínhamos R$11 milhões e uma dívida reclamada de R$60 milhões. As conseqüências dessa situação foram extremamente danosas para a Epamig e para a agropecuária mineira. Os empregados, a despeito de terem continuado as pesquisas, viveram anos de grande inquietação e desmotivação para o importante trabalho de gerar e transferir tecnologias apropriadas aos produtores rurais mineiros. Durante 19 anos, a Epamig ficou com todos penhorados e suas contas bancárias bloqueadas temporariamente pela Justiça do Trabalho, como garantia da enorme dívida trabalhista. Consciente da importância da pesquisa e do papel da Epamig no processo de desenvolvimento da agropecuária, o atual Governo Estadual autorizou todas as providências para o pagamento da dívida, propiciando a retomada plena de suas atividades. Graças ao determinado respaldo do Governo de Minas, a dívida foi negociada, consideravelmente reduzida e paga. Até agosto passado, tinham sido pagos mais de R$44 milhões desse débito, o que equivale dizer quatro vezes o patrimônio da empresa. Além disso, o Estado autorizou todos os acordos trabalhistas que propiciaram um reajuste salarial de 52% de 2003 até agora. Também autorizou a realização de concurso público – o que permitiu a recomposição do quadro de pessoal da empresa, que passou de 868 empregados em 2003 para 1.057 em 2008 e autorizou a implantação do Plano de Progressão por Tempo de Serviço, que beneficiou todos os empregados, com efeito retroativo a 1974. Neste ano de 2008, o governo mineiro está transferindo R$8 milhões para a execução do Plano de Sustentabilidade da Epamig, através do qual serão produzidos e disponibilizados sementes, mudas e animais certificados para a melhoria da qualidade da produção agropecuária do Estado, ao mesmo tempo em que moderniza a gestão das Fazendas Experimentais da Empresa. O Plano de Sustentabilidade consolida a situação da Epamig no que se refere às suas despesas de custeio que, desde Janeiro de 2007, são feitas integralmente com recursos gerados pela própria instituição, sem contar com apoio do Tesouro do Estado. O Governo paga a folha do pessoal e a Epamig paga todas as suas despesas de custeio. O Plano de Sustentabilidade está viabilizando também a compra de tratores, caminhões, veículos de transporte de passageiros, esmagadora de azeitonas (para produção de azeite de oliva), torrefadora de café, pivots de irrigação e a construção de uma unidade de beneficiamento de sementes. Importante ressaltar que os empregados da Epamig têm demonstrado grande sensibilidade quanto ao apoio do Estado à empresa, respondendo à altura às expectativas da sociedade e do próprio governo. Graças ao profissionalismo, à dedicação e ao comprometimento dos empregados, a Epamig passou de R$3,5 milhões captados para pesquisa em 2002 para R$18,3 milhões em 2008. O número de projetos de pesquisa elaborados passou de 36 em 2002 para 236 em 2007. O número de eventos de transferência tecnológica (dias de campo, palestras, seminários) passou de 150 em 2002 para 1.061 em 2007. A Epamig implantou o planejamento estratégico, modernizou sua estrutura administrativa, informatizou suas atividades, adotou intenso programa de capacitação de seus empregados. A recuperação de sua infra-estrutura - como a realização de obras e a aquisição de tratores, máquinas, veículos e equipamentos - já teve início com recursos estaduais e do Governo Federal. Neste momento, estão sendo aplicados R$3,7 milhões na reforma das instalações do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, em Juiz de Fora, e está prevista a aplicação de mais de R$15 milhões na recuperação da infra-estrutura física de toda a empresa, até o final de 2010, com recursos federais e estaduais. Suas tradicionais publicações, como o Informe Agropecuário (revista nacional) por exemplo, atingem um público cada vez maior em Minas e no país e cumprem sua rígida periodicidade. A Epamig está se tornando cada vez mais preparada para atender à enorme demanda por tecnologias apropriadas ao clima e ao solo deste Estado, que nasceu com a forte vocação para produzir alimentos para sua população, para o Brasil e para outros países. A empresa, que conta hoje com 209 pesquisadores Mestres, Doutores e Pós-Doutores, desenvolve, neste ano, 302 projetos de pesquisa nas áreas Bovinocultura; Grandes Culturas; Processamento Agroindustrial; Fruticultura; Silvicultura e Meio Ambiente; Aqüicultura; Cafeicultura; Floricultura; Olericultura; Agroenergia; Produção de Carne. Para este ano, está prevista a realização de 1.300 eventos de transferência tecnológica aos produtores rurais do Estado. O orçamento geral da empresa, que era de R$27 milhões em 2002 chega, hoje, aos R$89 milhões. O forte crescimento das verbas para pesquisa, que o atual Governo do Estado possibilitou através da Fapemig, ocorreu também no que se refere às verbas federais, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Ministérios. É justo creditar esses resultados alentadores aos empregados da Epamig e também ao decisivo apoio que temos recebido do governador Aécio Neves, dos secretários de Agricultura Odelmo Leão, Silas Brasileiro, Marco Antônio Rodrigues da Cunha e Gilman Viana Rodrigues, do vice-governador Antônio Augusto Junho Anastásia, da secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, da Advocacia Geral do Estado e de suas equipes. *Presidente da Epamig |