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Para Vinícius de Moraes O poeta é coisa de inexplicar. Coisa de levitar. Coisa das coisas. O poeta é coisa de...sei lá. De se deixar levar. De desver e imaginar. De viajar. O poeta é coisa de poetar. O poeta é. O resto é desdizer... Bença Vinícius. Bença poeta maior. Bença Vinícius, pai e mãe de santo, santo poeta do povo brasileiro. Bença Vinícius de Orfeu, Vinícius de Eurídice, que desceu aos infernos e ascendeu aos céus. Vinícius da Bahia, do Senhor do Bonfim e do Candomblé. Bença nego Vinícius que nasceu branco por acaso. Diplomata da poesia, que a sua profissão, única e eterna, foi a de fazer versos, reinventar a alegria e celebrar o amor. Bença Vinícius de Jobim, Vinícius de Baden, Vinícius de Toquinho, Vinícius que sabia, como ninguém, que a vida é parceria, é dividir a esperança e repartir o sofrimento, que a gente só cresce quando não deixa de ser criança. Bença Vinícius de Ipanema, poeta curvilíneo que exaltou nádegas e coxas das ninfetas douradas pelo sol. Bença Vinícius de todos os bares, de todas as dores, particularmente as de cotovelo, que seu ofício maior foi o de amar perdidamente. Que amor não se faz pela metade. Bença Vinícius da paixão, Vinícius da liberdade, que semeou vento e tempestade para colher o furacão, pois sempre acreditou que a vida é efervescência e o poeta um Ser em ebulição. Bença Vinícius da boemia, dose dupla de carioca e brasileiro, sertanejo do litoral, S. Jorge dos bordéis, nordestino da Miguel Lemos, gaúcho de Ipanema. Bença Vinícius arquiteto, poeta construído e em construção, que sua tarefa foi edificar a esperança, arrimar a vida, estruturar o sonho e a fantasia, demolir o desamor, soterrar o desalento e construir a poesia. Bença Vinícius musical, acorde de vida allegro e presto que envelheceu cantando a juventude do espírito, entoando hinos ao prazer de estar vivo e fazendo canções de amor. Bença Vinícius de consoantes e vogais, Vinícius de corais, Vinícius de imortais, Vinícius demais, Vinícius plurais, Vinícius, Vinícius de Moraes!... |
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