SÃO JOÃO DEL-REI, Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014  •  Ano XIV  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Chuvas continuam e alagam São João del-Rei

Minas Gerais continua sofrendo efeitos de chuvas intensas e, na última semana, o Campo das Vertentes foi afetado pelas enchentes. Com ruas alagadas, pontes interditadas, famílias desalojadas e desabrigadas, esse foi o cenário presenciado em São João del-Rei nos últimos dias.

Morador tenta salvar pertences na Vila Nossa Senhora de Fátima, um dos locais mais afetados pelos alagamentos na cidade - Foto: Thiago Morandi / Divulgação

Morador tenta salvar pertences na Vila Nossa Senhora de Fátima, um dos locais mais afetados pelos alagamentos na cidade - Foto: Thiago Morandi / Divulgação

Transtornos

Ponte que liga a Avenida Leite de Castro à Colônia do Marçal chegou a ser interditada, deixando pessoas ilhadas em ambos os lados - Foto: Tassiana Andrade / Divulgação

Ponte que liga a Avenida Leite de Castro à Colônia do Marçal chegou a ser interditada, deixando pessoas ilhadas em ambos os lados - Foto: Tassiana Andrade / Divulgação

A secretária executiva da Defesa Civil da cidade, Cláudia Valéria Silva, contou que na quarta-feira, 11, havia cerca de 25 pessoas desabrigadas na Colônia do Giarola. Todas foram encaminhadas para uma escola. “Não há como precisar as vítimas, porque existem locais aos quais conseguimos chegar só de barco. Na Vila Nossa Senhora de Fátima, por exemplo, há muitas pessoas que saíram e foram para a casa de amigos e parentes. Outras ficaram ali”, disse. Segundo ela, até meados desta semana cerca de 800 imóveis e 2.400 pessoas já haviam sido afetadas pelas enchentes. Além disso, sete casarões coloniais estão em observação e pelo menos três casas estão em risco de desabamento.

Na quinta-feira, 12, a secretária executiva da Defesa Civil informou que houve no Bairro Senhor dos Montes um início de deslizamento envolvendo cinco casas e que o órgão iria fazer uma avaliação do local.

Ainda segundo Cláudia, os bairros mais afetados com inundações foram Vila Santo Antônio, Vila Nossa Senhora de Fátima, a parte baixa do Fábricas, a Cohab e as Colônias do Giarola, Marçal e Felizardo. “Já os que mais sofreram com deslizamentos foram Vila Lombão, Pio XII, Caieiras, São Geraldo, Senhor dos Montes, Guarda-Mor, Tijuco e São Dimas e Águas Gerais, onde a situação é mais crítica”, disse.

Enchentes

Quando a água começou a baixar, a quantidade de lixo acumulada no Córrego do Lenheiro ficou à mostra - Foto: Thiago Morandi / Divulgação

Quando a água começou a baixar, a quantidade de lixo acumulada no Córrego do Lenheiro ficou à mostra - Foto: Thiago Morandi / Divulgação

Até o fechamento desta edição na quinta-feira, 12, a situação mais crítica havia sido registrada na terça-feira, 10. Na segunda-feira, 9, as águas que transbordaram do Córrego do Lenheiro e do Rio das Mortes já haviam inundado alguns pontos do município, provocando a interdição da Ponte dos Cachorros e em um dos sentidos na Ponte do Bezerrão, além de causar transtornos também no trânsito, principalmente na Colônia do Marçal e na Avenida Leite de Castro.

Na terça-feira a água não parou de subir e a situação piorou. A enchente alcançou parte da Avenida Leite de Castro e passou por cima da Ponte do Bezerrão, deixando algumas pessoas que saíram de casa para trabalhar ilhadas, já que não havia ligação entre a Colônia do Marçal e o Centro. Nessa data, segundo a Polícia Rodoviária, a Ponte do Porto, que liga a cidade a Santa Cruz de Minas; e a BR-494, que liga São João a Ritápolis e São Tiago, estavam interditadas. Além disso, os trânsitos na MGT-383, sentido Prados, e da BR-265, sentido Barbacena, aconteciam em meia pista.

“Orientamos as pessoas que tivessem parentes e amigos no Centro para que procurassem as casas deles para ficar. Na Colônia não precisamos alojar ninguém, mas do outro lado a Universidade Federal de São João del-Rei disponibilizou o campus Dom Bosco para que as pessoas se ficassem ali. O presidente da Câmara Municipal, Mauro Duarte, também disponibilizou dois ônibus gratuitos para transportar os moradores. “Providenciamos alimentação, colchões e cobertores para cerca de 12 pessoas que ficaram ali”, contou ainda a representante da Defesa Civil.

Ponte do Porto, que liga Santa Cruz de Minas a São João del-Rei, também foi interditada, impedindo o trânsito entre as cidades - Foto: Divulgação

Ponte do Porto, que liga Santa Cruz de Minas a São João del-Rei, também foi interditada, impedindo o trânsito entre as cidades - Foto: Divulgação

Trégua

Na quarta-feira, 11, segundo o comandante do 2º Pelotão do Corpo de Bombeiros em São João del-Rei, subtenente Wagner Eduardo Jacques, o volume de água havia estabilizado. “O nível parou de subir e na quarta, por volta das 12h, a água já havia baixado 30cm em relação às 18h do dia anterior. No fim da semana a expectativa do Climatempo e da Defesa Civil de Belo Horizonte era de que hoje, 14, as chuvas fossem diminuir, apesar da previsão de pancadas de 20mm”, disse.

O subtenente Jacques ainda contou que a maior recomendação da corporação é para as pessoas não se aterem a bens materiais. “Se a água estiver subindo, você deve sair de casa. Há também a preocupação com deslizamentos de terra. A orientação é de que,  se os moradores perceberem anormalidades nos imóveis, solicitem uma vistoria do Corpo de Bombeiros ou da Defesa Civil”, disse.

Tiradentes foi uma das cidades atingidas na região. Barroso e Barbacena também foram afetadas pelas chuvas - Foto: Divulgação

Tiradentes foi uma das cidades atingidas na região. Barroso e Barbacena também foram afetadas pelas chuvas - Foto: Divulgação

Na quinta-feira, 12, o soldado Anderson de Jesus Lara, do 3º Pelotão de Meio Ambiente e Trânsito, informou que somente a AMG-430, que liga Santa Cruz de Minas a Tiradentes pela Estrada Real estava interditada. “As outras saídas da cidade estão liberadas, mas com algumas restrições”, explicou.

Segundo o assessor de imprensa do Corpo de Bombeiros, cabo Robson Paiva Zanola, a expectativa é de que o rio volte a seu leito normal até hoje,14. “Agora estamos resgatando as pessoas que estavam ilhadas e não queriam sair de casa, levando suprimentos e fazendo a prevenção para que quem se desalojou não volte para a residência, evitando o contato com a água. Além disso, estamos monitorando áreas de risco de deslizamento”, disse.

Carnaval
Na segunda-feira, 9, o prefeito municipal, Nivaldo José de Andrade (PMDB), afirmou que a situação do Estado, no geral, era pior que a de São João del-Rei, mas as autoridades iriam se unir para evitar maiores problemas. Andrade chegou a comentar a possibilidade de não haver desfiles no Carnaval caso fosse necessário utilizar os recursos da festa para dar assistência às vítimas das enchentes. Nada foi oficializado.

Na quinta-feira, 12, ele informou que apenas na segunda-feira, 16, será tomada uma decisão a respeito do assunto.

Situação de emergência
Na segunda-feira, 9, Andrade decretou Estado de Emergência na cidade, mas até o fechamento desta edição São João ainda não estava na lista oficial de municípios reconhecidos nessa situação pela Defesa Civil.



4 Comentários para “Chuvas continuam e alagam São João del-Rei”

  1. Anderson Rodrigues de Melo disse:

    Nasci em Barroso, mas aos 8 anos mudei para são João Del rei onde estudei e trabalhei, sai quando tinha 24 anos e hoje estou em Frutal no triangulo mineiro aqui as chuvas não trouxeram preocupação e ao ao ver essas imagens de São João fiquei muito triste, pois tenho amigos e família aí, gosto muito dessa cidade e provavelmente em 2015 retornarei. Que Deus abençoe e conforte os corações das vítimas, pois nesse momento difícil a fé é primordial. Abraços a todos sanjoanenses e mãos a obra deixem nossa cidade ainda mais bonita, estou longe mas ajudo com minhas preces. Sinto saudades

    Anderson Rodrigues de Melo, sanjoanense.

  2. leonardo rocha vicente disse:

    Fiquei muito triste em ver como nossa linda cidade de São Joao Del Rei ficou após vários dias de chuva, não sou morador ainda de São Joao, mas irei adotá-la assim que me aposentar, pois nunca me senti tão bem, quando estou aí, deixo aquí meus sentimentos de solidariedade ao povo sanjoanense e região e ratifico que devemos nos preocupar com um conceito novo para nós, mas muito antigo, principalmente no continente asiático, onde a reciclagem é tratada com absoluta prioridade, temos que adotar este costume como regra em nossas vidas, juntos sem duvida teremos condições de fazer algo diferente e fazer com que catátrofes como estas não venham com tanto poder de destruição, reciclar é preciso, assim preservaremos nosso patrimonio e nossa historia, abraçõ ao povo hospitaleiro de São João e em especial meu amigo Huallancy Fernando, locutor da radio Sol FM. OBRIGADO.

  3. Fiquei muito triste quando soube que São João Del Rei,Tiradentes e Santa Cruz de Minas foram alagadas,são cidades que eu gostaria muito de morar um dia,desejo a todos aqueles que sofreram com a enchente que se recuperem do trauma que passaram por esses dias que Deus olhe por todos vocês. eu e minha esposa e meus filhos estamos aguardando a rapida recuperaçaõ das cidades para visitarmos novamente.

  4. Juliano Batista disse:

    É de suma importância que a população se conscientize em não jogar lixo pela cidade.Que a coleta de lixo seja mais intensa.Que campanhas de educação sejam feitas para minimizar os efeitos da chuva.Choveu muito, sem duvida ,mas os estragos podiam ser menores com essas atitudes.Uma cidade com São João Del Rei , histórica e tão rica, tem que ser pelo menos limpa.Ao chegar na rodoviária já vemos a quantidade de sujeira espalhada.A quantidade de moradores de rua,uso de drogas.Não sou morador,mas frequento e levo amigos a cidade e assim como eu, eles tem se decepcionado com descaso do poder público que parece inexistente.E principalmente o sujeira,nas ruas,nos trilhos da Maria Fumaça(em toda sua extensão),são os principais e graves problemas dessa cidade.
    Atenciosamente
    Juliano Batista

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