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SÃO JOÃO DEL-REI, Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Sinos que falam serão tema de livro

A tão famosa linguagem dos sinos de São João del-Rei será tema de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de cinco alunos de Jornalismo da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), de São Paulo (SP).

“Nosso projeto é acadêmico e a proposta é fazer um livro-reportagem sobre patrimônios imateriais registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Sudeste, registrados no Livro dos Saberes, que são três: o ofício das paneleiras de Goiabeiras, no Espírito Santo; a técnica de fazer queijo, na Serra da Canastra; e o toque dos sinos de Minas Gerais”, contou a universitária Ana Carolina de Lima Leite, que veio à cidade juntamente com o colega Vinícius da Silva Santos para coletar dados.

Ana contou que um dossiê do Iphan lembra que o toque dos sinos é uma característica recorrente em todo o Brasil, principalmente na região de Minas Gerais, e que São João del-Rei foi escolhida justamente por ser a cidade em que os sinos falam. “Viemos aqui para falar com os sineiros mesmo, essas pessoas que vivem o patrimônio, que produzem isso, para ver como é o ofício e a vida deles e qual é a representatividade disso, já que é uma atividade reconhecida nacionalmente e até pelo mundo, porque a Unesco também tem uma relação com o Iphan”, frisou.

A futura jornalista ainda explicou que a ideia é fazer uma grande reportagem com o perfil dos sineiros são-joanenses e do toque dos sinos como plano de fundo. O trabalho, que conta também com a participação dos estudantes Nathália Carvalho, Ana Paula Araújo e Daniel Gonçalves, começou a ser elaborado em agosto do ano passado e deve ficar pronto em maio.

 

Personagem
Um dos entrevistados pelos estudantes foi Newton Lopes, que exerceu o ofício na Catedral do Pilar por 20 anos. “Desde pequeno eu frequentava as torres e aprendi os toques. Meu pai, João Resinga, era sineiro e pouco antes de falecer me entregou a chave da torre da matriz. Foi quando peguei a responsabilidade”, disse.

O são-joanense argumentou que gostava muito do ofício, mas quase sofreu um acidente enquanto tocava. “Houve uma vez em que eu estava dobrando e minha aliança agarrou no sino, que já estava me levando para fora da torre. Então dei um arranco e a aliança quebrou”, relembrou.

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