SÃO JOÃO DEL-REI, Terça-feira, 21 de Outubro de 2014  •  Ano XIV  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Manifestação termina em confusão na prefeitura

Uma manifestação em frente à prefeitura contra a atual administração, na semana passada, terminou em confusão e possibilidade de processo jurídico por injúrias racistas.

O incidente, segundo Aparecida Maria da Trindade, começou quando alguns integrantes do grupo manifestante tentaram invadir a sede da administração municipal. “Eu fiquei na porta para eles não entrarem. Não sou contra esse tipo de mobilização, mas as pessoas precisam respeitar as instituições públicas. Por isso impedi a entrada deles”, afirmou Aparecida, que trabalhava na campanha do PMDB no dia do incidente.

Depois dessa atitude, ainda conforme Aparecida, um dos homens que integrava o grupo manifestante  a chamou de “negra, macaca e hipopótama”. “Tenho consciência da minha cor, mas não preciso ser humilhada assim”.

Na confusão, outra integrante da campanha do PMDB, Marilene Mamede de Souza, também afirma ter sofrido injúrias. “No meio do tumulto esse mesmo homem me empurrou para traz. Foi quando eu disse que vivíamos em uma democracia e não precisávamos brigar. Aí ele veio me ofedendo, dizendo que eu era ‘passa fome’ e que trabalhava a troco de cesta básica”.
De acordo com os boletins de ocorrências registrados por ambas as mulheres, o empresário Luiz Gonzaga Cardoso foi a pessoa responsável pelas ofensas. O jornal Gazeta de São João del Rei entrou em contato com ele, por telefone, porém Cardoso afirmou que não iria se pronunciar sobre o assunto. “Só falo em juízo”, disse.

O advogado das duas mulheres, Mateus Alves Simas Magalhães, destacou que elas já entraram com representação na polícia e que, agora, o delegado irá ouvir todas as partes. “O acusado vai ser intimado para prestar declarações e as vítimas e testemunhas também. Foi uma movimentação a princípio não partidária e pacífica contra a atual campanha do prefeito Nivaldo à reeleição, mas no final alguns militantes do partido da oposição apareceram nesse movimento e foi necessária a intervenção da polícia”, explicou. A versão foi confirmada por Aparecida, que disse ter visto pessoas da manifestação com adesivos do PT.

No Código Penal, casos de injúria racial e social são previstos como crimes, de acordo com o artigo 140, parágrafo terceiro. Em entrevista à TV Campos de Minas, o delegado  responsável pelo caso, Luiz Carlos Pires, frisou que nessas situações o agressor julgado pode receber penas de reclusão.



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