SÃO JOÃO DEL-REI, Sábado, 1 de Novembro de 2014  •  Ano XIV  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Do lixo ao luxo

O Brasil perde R$ 8 bilhões por ano ao deixar de reciclar os resíduos que vão para os aterros e lixões, de acordo com um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente. Quem rema para a direção contrária e tenta modificar este panorama é Waldir Alves Pereira Júnior. Ele é professor de Educação Ambiental da Fundação Bradesco e propôs aos seus alunos um projeto que reciclasse o máximo de materiais possíveis, diminuindo, consideravelmente, a quantidade que era enviada para a coleta pública.

Especial Meio Ambiente

Especial Meio Ambiente

Lixo Mínimo é o primeiro nome denominado ao projeto que teve várias ramificações à medida que se percebiam novas formas e materiais para reciclagem (fotos). E os jovens, que normalmente aprendem com seus pais, passaram a ser exemplo para eles e começaram a cobrar atitudes mais conscientes para a preservação ambiental da cidade.

O projeto
Primeiramente foi feito um levantamento que constatou que o papel era o principal resíduo produzido pela escola. A partir disso, a iniciativa começou a obter destaque. “Com este resultado em mãos, pedi aos alunos uma solução para que este papel pudesse ter um outro destino. Decidimos que o ideal seria fabricarmos artigos artesanais através deste material.

Agora todo papel utilizado na Fundação Bradesco se transforma em agendas ou bloquinhos”, contou Júnior.

Outro fator que está sendo muito discutido atualmente é o lixo eletrônico. Muitas pessoas não sabem como se livrar daquele computador velho, por exemplo. A solução para este problema foi resolvida através de uma parceria, que definiu a Fundação Bradesco como um dos pontos de recolhimento deste tipo de material. Alguns monitores de computadores estão sendo reutilizados como casinhas para cachorros.

O reaproveitamento de materiais funciona também com o lixo úmido, que vem da merenda escolar, e com as garrafas pet. O alimento que sobra da merenda dos alunos é transformado em adubo orgânico e as garrafas de plástico tornam-se vassouras. O óleo de cozinha usado é trazido pelos alunos para que sejam reaproveitados na forma de sabão em barra.

Divulgação da iniciativa
Os alunos da Fundação Bradesco têm a missão de repassar todo esse aprendizado para a população através de oficinas e palestras. “Oferecemos o nosso conhecimento com oficinas, que normalmente são ministradas pelos alunos ao lado dos pais. Além disso, abrimos cursos gratuitos dentro da escola para que a comunidade tome consciência acerca deste assunto tão importante”, disse o professor de Educação Ambiental.

Ainda de acordo com ele, o mais importante do projeto é ver o envolvimento das crianças. “A criançada se envolve ao máximo com esta nossa iniciativa. Eles são multiplicadores em casa, repassam tudo que aprendem na escola para seus familiares. Realmente, eles ficam no pé dos pais, falando que não é para fazer isso e nem aquilo. Isso acontece porque o adulto é mais difícil de conscientizar e eles têm mudado os hábitos por causa deste envolvimento dos filhos. A criança tem o poder de modificar a postura dos adultos”, afirmou.

Como separar o lixo em casa?
A primeira coisa a fazer é separar o lixo seco do orgânico. O segundo passo é lavar a embalagem para retirar os resíduos do alimento. Por fim, encaminhe o material para a coleta seletiva, cooperativas de catadores ou centrais de recebimento de recicláveis. Como a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis, Ascas, que funciona na Rua Carlos Guedes, 22, no bairro Matosinhos.



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