SÃO JOÃO DEL-REI, Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014  •  Ano XIV  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Cachoeira do Jaburu é palco de motocross

O calor que ultrapassou 30oC no último domingo, 24, levou milhares de pessoas à Cachoeira do Jaburu, a 22km de São João del-Rei. Mas o sol escaldante e as altas temperaturas não foram os únicos atrativos do local próximo a Ritápolis. Ali, entre banhistas que tentavam amenizar o calor nas quedas d’água, 40 motociclistas sofriam exatamente com ele vestindo blusões, calças e acessórios offroad na 13ª edição do Cross Country de Motocross. A competição não é válida para rankings nem conta como eliminatória para competições nacionais, mas já é tradicional na região, atraindo corredores de diferentes municípios do Campo das Vertentes. “Não temos grandes pretensões. Nosso objetivo é estimular o esporte e fazer com que os motociclistas se mantenham na ativa. Mas é importante frisar que nosso trajeto não tem nada de amador: é intenso e desafiante como qualquer outro. Então quem se inscreve tem a oportunidade até mesmo de treinar para concorrências maiores”, explicou um dos organizadores e competidores do Cross Country, Tiago Villas Boas.

Quase 50 motociclistas da região participaram do Cross Country - Foto: Reprodução / TV Campos de Minas

Quase 50 motociclistas da região participaram do Cross Country – Foto: Reprodução / TV Campos de Minas

Estrutura e sustos
Foram quase oito horas de competição para sete categorias em percurso de 3km: as quatros primeiras, Nacional e Importada, separadas em A e B, classificavam corredores de acordo com origem da moto e experiência em corridas. Havia ainda as categorias Over, para desafiantes mais velhos, e Feminina; além da Força Livre, em que todos os competidores correram juntos. No trajeto, morros íngremes, estrada irregular e curvas fechadas. Tudo isso além da “orla” artificial, com muita areia ao redor da água, onde cinco corredores derraparam e precisaram de ajuda para continuarem competindo. “São incidentes pequenos que fazem parte da modalidade. O próprio público, em muitos momentos, se concentra à espera das quedas. Em torneios como este e em cenário tão complexo, é impossível que não aconteçam”, comentou o membro da equipe de apoio do Cross Country, Walter Silva.

Porém, entre uma bateria e outra da competição, houve sustos. Um dos atletas perdeu o controle da moto que pilotava ao atravessar uma ponte e desabou na água, o que preocupou parte do público. “Só fiquei tranquila quando vi que ele se mexia. Na areia a gente sabe que não machuca. Na água bate medo por causa das pedras”, comentou a dona de casa Regiane de Paula.

Horas mais tarde, novo acidente. Desta vez, um motociclista caiu sobre o guidão do veículo que pilotava e feriu o queixo. A queda atraiu dezenas de curiosos que chegaram a invadir a pista de corrida para tentar socorrê-lo antes da aproximação da ambulância. Nada de grave. O corredor saiu do local caminhando, sorrindo e exibindo um pequeno corte. “Essa marca da corrida vai ficar na pele como troféu”, brincou.

Novidades
Se o motocross ainda é associado à preferência dos homens e atrai em grande maioria competidores do sexo masculino, acabou desmistificando parte desses conceitos durante o Cross Country. Na edição do fim de semana, a terceira consecutiva na Cachoeira do Jaburu, duas baterias foram dedicadas à estreia da categoria feminina que contou, inclusive, com participação infantil. “Conhecia muitos corredores e me arrepiava quando os via em competições. Pensei: ‘por que não posso fazer o mesmo?’. Não demorou muito e já estava pilotando.

Foi como vício: entrou na veia, já era. É minha paixão”, comentou a jovem Iara Santos.

Outra competidora, Kátia Silva, concordou. “Sabemos que as disputas entre homens e mulheres são diferentes, mas mostramos que também sabemos fazer isso e é tão atrativo quanto as disputas entre rapazes. A adrenalina e os cuidados são os mesmos. Digo mais: até os medos são parecidos”, disse.

E por falar em medo, era esse o sentimento que dominava a pequena Maria Eduarda Mendonça, de 10 anos. Apesar de ser competidora experiente com cinco anos de trilhas, a menina comentou que o “frio na barriga” jamais a deixaria. “Não sei explicar. Só sei que antes da corrida não dá pra ficar calma”, comentou. Para participar, a jovem motociclista contou com veículo específico, bem menor do que os tradicionais e com menos cilindradas. A ideia é expandir ainda mais o alcance do torneio. “Tentamos ser o mais democráticos possível, permitir que mais pessoas corram e participem. Ao mesmo tempo, levamos entretenimento para o público. Isso nos agrada muito. Praticamos o que amamos, trazemos mais gente para perto e nos divertimos”, finalizou Villas Boas.



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