? Editorial: Transitar é preciso | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Editorial: Transitar é preciso

Vamos fazer um exercício de imaginação: se você, morador ou visitante de São João del-Rei, for convocado a fazer uma descrição da cidade, dificilmente irá fugir, em algum ponto do discurso, do comentário sobre as ruas históricas.

Pois bem, exatamente por poderem receber essa classificação, as vias públicas da área central também demandam cuidados. Tradicionais, marcadas por características que atravessam séculos, as ruas do Centro Histórico e seu entorno deixam entrever agora uma realidade contrastante: elas foram construídas como tapetes para o tráfego de charretes e cavalos. Não para a passagem de caminhões abarrotados de caixas e ônibus lotados, sejam eles de moradores cruzando o município na volta para casa ou de turistas extasiados com cartões postais materializados através da janela.

Para quem não acredita nos danos em longo prazo desse tipo de tráfego, um aviso: levantamento feito por engenheiros escalados pelo Ministério Público do Estado (MPE) apontou estragos  estruturais na Ponte do Rosário. Isso sem falar nos proprietários e moradores de casarios tradicionais que são obrigados a dizer ‘olá’, todos os dias, para novas rachaduras nas paredes.

Quando o MPE bate na mesa e pede medidas urgentes à Prefeitura, a decisão pode até soar impopular e sinalizar prejuízos para empresários e população. Mas a verdade é que parte desse receio pode ser amenizado se os envolvidos na questão tiverem jogo de cintura e disposição em solucionar o caos do Centro Histórico com estratégia, boa vontade e consciência de que é preciso equilíbrio e o “jeitinho” já devia ter morrido de velho. “Jeitinho” sim, já que ônibus intermunicipais, por exemplo, não deveriam passar pelo Centro Histórico muito antes de qualquer TAC do Ministério Público vir à tona. Se o fazem, é por mania de burlar o sistema e, claro, pelo fato de ninguém ter se preocupado, até então, em fiscalizar e dar o grito contra isso. Grito que, aliás, as pontes do Rosário e da Cadeia dariam, de dor, a cada passagem de 20 toneladas sobre elas. Grito que motoristas sufocam todos os dias e se convertem em grunhidos tímidos ou buzinadas histéricas enquanto se espremem com seus carros no Centro Histórico, procuram estacionamento, esperam caminhões descarregarem caixas e caixas de produtos ou aguardam o desenvolvimento lento de um ônibus nas ruelas. Aliás, de acordo com o Departamento Municipal de Trânsito, todos os dias, 20 linhas com cinco horários percorrem a área central e seu entorno. É muita coisa em uma cidade que já tem 40 mil veículos circulando e frota crescente de 5 mil unidades todos os anos. Vale pensar. E esperar que soluções sejam dadas, também, para os demais pontos sobrecarregados da cidade. Desta vez, porém, sem polêmicas ou intervenções do Ministério Público. Mas boa vontade e iniciativa internas.

Boa leitura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *