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SÃO JOÃO DEL-REI, Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

APAC realiza cursos de profissionalização

Profissionalização e aprendizado são as palavras-chave na Associação de Assistência e Proteção aos Condenados (APAC) de São João del-Rei nos últimos dias. Na quinta-feira, 11, a instituição deu inicio, oficialmente, a um Curso de Panificação Profissional que será ministrado a 24 recuperandos dos sistemas aberto e semi-aberto até o próximo mês.

Sede da APAC Masculina está localizada na BR-265. Foto:  Asses. Pref. de São João del Rei/Divulgação

Sede da APAC Masculina está localizada na BR-265. Foto: Asses. Pref. de São João del Rei/Divulgação

Já na segunda-feira, 15, o complexo do sistema inaugurado há cerca de um ano será ponto de encontro para pelo menos cem profissionais que atuam em associações de todo o país durante curso de capacitação que se estenderá até o final da próxima semana. “Para nós essa é uma prova de que o nosso trabalho tem dado certo, pode crescer ainda mais e constituir uma imagem definitivamente positiva junto à sociedade”, explicou o presidente da APAC local, Antônio Carlos de Jesus Fuzatto.
Curso
Cerca de 100 funcionários das APACs nacionais desembarcam neste fim de semana para maratona preparatória na nova sede da associação em São João del-Rei. Serão 40 horas de estudo, debates e atuações práticas em todo do método de recuperação.
As aulas acontecem a partir de segunda, 15, e continuam até a quinta-feira, 18, em jornadas que começarão diariamente às 8h e só serão encerradas às 18h. O curso, segundo Fuzatto, ocorre dentro das APACs uma vez a cada cinco meses e chega pela primeira vez a São João sendo assistido, ainda, por representantes do Judiciário, de instituições religiosas e da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC).

“Receber um evento assim é uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo é o reconhecimento pelo quanto avançamos. Quando terminar, vem o desafio de nos aprimorarmos ainda mais agora que tanta gente conhecerá o nosso espaço e levará referências dele para o Brasil inteiro. A jornada não acaba”, brincou o presidente da APAC em São João del-Rei.

 

Profissionalização
Todos os dias, a padaria interna da APAC produz cerca de mil pães para alimentar os 180 internos e as dezenas de funcionários da instituição. E foi essa estrutura que encantou os representantes do Instituto Minas Pela Paz. O grupo, ligado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e formado por 50 empresas de grande porte do território, já levou cursos preparatórios a 3 mil recuperandos em APACs de MG através do Programa Regresso e volta a São João com essa mesma iniciativa na bagagem para preparar 24 internos.

Através do aprendizado em curso de 80 horas, os alunos sairão certificados em manipulação de produtos e na fabricação de delícias que vão de pãezinhos franceses a brioches e panetones. O diploma, aliás, é balizado pelo SESI/Senai (responsável pelo ensino através de ação itinerante) e será válido em toda a América Latina.

“O que defendemos é muito simples: o sistema carcerário convencional registra incidência de 80% dos presos libertados ao crime. Na APAC esse índice é de apenas 15%. Se o sistema já funciona, pode ser aprimorado ainda mais preenchendo uma lacuna muito importante, que é a de autonomia, profissionalização e novas oportunidades”, explicou o gerente de projetos do Minas Pela Paz, Enéas Melo.

Ainda de acordo com ele, o desenvolvimento pessoal dos internos acaba refletindo, também, no da própria APAC. “Os recuperandos podem começar produzindo dentro da padaria da instituição e, aos poucos, ensinando o que fazem a outros beneficiados, a produção pode aumentar e fomentar o mercado comum. O consumo externo, aliás, é uma forma de aproximar a comunidade e fazê-la compreender melhor o significado da APAC”, acrescentou.

Fuzatto concordou e acrescentou que, com o curso, cria-se uma nova oportunidade de interação entre os assistidos, mais uma motivação concreta para a socialização e, claro, uma possível fonte de renda extra para a instituição. “É uma forma de garantir renda e de nos tornarmos um pouco mais independentes também. Mas isso é algo em médio prazo. Por agora o que fica é a satisfação de aprimorarmos nossas experiências com iniciativas que realmente dão certo. Na APAC feminina, por exemplo, um curso para cabeleireiras foi encerrado há bem pouco tempo e os resultados foram excelentes”, finalizou.

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