? Ecos das eleições | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Domingo, 26 de Março de 2017  •  Ano XVIII  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Ecos das eleições

O que ficou patente nestas eleições de 2016, com absoluta clareza, foi a derrocada do PT. Os números falam por si. Lula não conseguiu eleger nem mesmo seu filho adotivo em São Bernardo do Campo, antigo reduto dos petistas. No país, o PT tinha 5.067 vereadores: em 2016 elegeu 2.795, quer dizer, 44,8% a menos. De terceiro partido passou a ser o décimo. Em Minas, eram 113 prefeitos do PT: agora foram eleitos 38. A situação é pior em São Paulo. Lá, eram 70 os prefeitos do PT: agora foram eleitos apenas 8. A situação repete-se em todas as regiões do país, mesmo no Nordeste, onde a abundância de Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e outras benesses deram a vitória a Dilma em 2014. Não se depreenda desta frase anterior que eu seja contra políticas sociais: mas elas precisam ter sustentabilidade para não ocorrer o que aconteceu nos últimos dois anos: quebradeira generalizada, desemprego, desconfiança de investidores, corrupção deslavada, juros estratosféricos, inflação ameaçadora. Quem foi o culpado desta situação? Os eleitores deram sua resposta nas eleições municipais.

PMDB e PSDB foram os dois partidos que mais elegeram prefeitos e vereadores nesta eleição. Na região das Vertentes, o PSDB, diretamente, ou em coligação com outros partidos, teve presença indiscutível entre os vitoriosos: é só ver os resultados de Barbacena, Barroso, Coronel Xavier Chaves, Prados, Resende Costa, Madre de Deus, Luminárias, Nazareno, São Tiago. Em Tiradentes, no momento a vitória é do PSDB, embora ainda estejam em julgamento os votos obtidos pelo candidato Felipe Barbosa. Na região, a vitória do PT só ocorreu, e com facilidade, em Santa Cruz de Minas, com Sinara.

Mas, na cidade chave das Vertentes, São João del-Rei, o PSDB teve 35% de votos, perdendo para a coligação de PSL/PDT/PHS/PMDB/PPL/PSC, que obteve 45%. Pela quarta vez, Nivaldo assume a prefeitura da cidade com uma Câmara Municipal renovada: dos vereadores atuais, somente quatro, dos treze, foram reeleitos: Cabo Zanola, Stefânio, Igor Sandim e Rodrigo Deusdedit. Chegam à Câmara nove vereadores para, com aqueles quatro, cumprirem a missão de legislar e, mais importante ainda, fiscalizar as ações do executivo, sem utilizar os recursos, espera-se, do “toma-lá-dá-cá”, do fisiologismo e da demagogia: Weriton José de Andrade, Jorge Hannas Salim Junior, Leonardo H. Almeida e Silva, Sebastião Roberto de Carvalho, Edmar Abreu de Resende, Altamir Zanetti e João Heitor de Carvalho. Os dois primeiros são filhos, respectivamente, de Nivaldo, o prefeito, e Jorge Hannas, o vice-prefeito, uma situação estranha e que levanta muitas ponderações.

Ambos, muito jovens, tiveram votação surpreendente, o que é raro numa eleição complexa e concorrida como a de vereadores.
Vendo o quadro eleitoral em Minas é espantoso o que ocorre em termos de coligação. A impressão que se tem é que partido político no Brasil não quer dizer nada, não tem programa, não tem objetivos claros, não tem ideais. Há coligações de todo tipo: numa cidade o PT está coligado com o PMDB e com mais meia dúzia de partidos; em outra o PSDB está junto com o PMDB e outros cinco ou seis nanicos que sequer têm representação no Congresso Nacional. Não é sem razão que está em discussão a proibição de coligações em eleições proporcionais, assim como uma emenda à Constituição que regule a existência de partidos sem um mínimo de representação, a chamada Cláusula de Barreira. Agora, pessoal, é ver o que nos espera com os vencedores do pleito de 2 de outubro em São João del-Rei…Problemas para resolver não faltam.

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Um comentário para “Ecos das eleições”

  1. Edson Teixeira Andrade disse:

    No Brasil as pessoas geralmente não votam em partidos,principalmente nas cidades do interior,onde lidera o sistema toma lá da cá, mesmo que em tempos de fiscalização mais rigorosa pela lei.
    O que vem mudando a passos lentos pela politização dos eleitores mais jovens, mas o que se observa no geral é a total descrença na classe política seja de partido A ou B.
    Nossos políticos atuais que fiquem com a barba de molho,se achando poderosos,vencedores, a não ser que seus podres estejam bem enterrados e profundamente,para não exalar nem sequer o mínimo odor para que a lava jato,com seus jatos poderosos,possam revolver esta terra, expondo o mal cheiro insuportável de suas falcatruas.
    No Brasil enquanto não for desmantelada a quadrilha lá instalada onde não sobra partido algum,podendo se tirar no meio da lama um ou outro político continuaremos a ser dominados.
    não resta dúvida que deve se haver uma grande reforma na previdência e em muitos outros setores,mas principalmente o ex deve vir de cima com os governantes cortando seus privilégios e não tirar do pobre.

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