? Escolas de Samba III | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Sábado, 25 de Fevereiro de 2017  •  Ano XVIII  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Escolas de Samba III

Um dos itens colocados em julgamento no desfile das Escolas de Samba é a Comissão de Frente. O nome diz tudo: trata-se de um conjunto de 10 a 15 membros (no Rio) que apresentam a Escola de Samba ao público presente para apreciar o desfile.

Na verdade, a Comissão de Frente foi inventada pelas Grandes Sociedades e adaptada pelas Escolas de Samba. A primeira Escola de Samba a adotar uma Comissão de Frente foi a Portela. Na ocasião, o nome era Comissão de Destaques, formada por fundadores da entidade e componentes mais antigos, cuja idade avançada dificultava a participação em alas. Nas grandes sociedades a Comissão de Frente vinha a cavalo à frente das entidades.

Nada, nas Escolas de Samba, sofreu tantas modificações no tempo quanto a Comissão de Frente, tornada parte obrigatória do desfile em 1938. As primeiras alterações ocorreram ainda na década de trinta, com os componentes da Comissão de Frente desfilando em limusines e usando fraque e cartola. A chegada dos artistas plásticos às Escolas de Samba, a partir de 1960, foram introduzindo gradativamente novidades nas Comissões de Frente. Em princípio, elas deveriam ter alguma relação com o enredo, mas até mesmo esta relação foi, aos poucos, sendo relegada a um segundo plano. Hoje, as Comissões de Frente são um dos aspectos mais criativos das Escolas de Samba, com a presença de bailarinos profissionais e coreógrafos altamente qualificados para ensaiá-los. A tendência crescente foi a de se mostrar Comissões cada vez mais ricamente trajadas, com exuberantes coreografias e, não raro, com a exibição de aparições surpreendentes, muito mais próximas de um espetáculo de mágica, quando não se utilizam de acrobatas profissionalmente preparados e o uso de tripés e acessórios móveis para enriquecimento de suas coreografias.

No caso das Comissões de Frente, em São João del-Rei ocorreu um fato curioso. Demorou muito para que as Escolas de Samba percebessem a importância das Comissões de Frente e as alterações que as agremiações do Rio estavam introduzindo na estrutura delas. Na verdade, foi no Carnaval de 2000, com o enredo O Ciclo do Ouro, que o Grêmio Recreativo Escola de Samba União desfilou com uma impecável Comissão de Frente representando os Contratadores, personagens simbólicos do Ciclo do Ouro. Eram nove componentes, com coreografia apurada, que faziam parte do enredo e apresentavam a Escola ao público. O exemplo não deixou de ser percebido pelas agremiações carnavalescas congêneres: a partir de 2001, todas as Escolas de Samba da cidade vêm apresentando Comissões de Frente que merecem elogios: bem vestidas, condizentes com o enredo e com coreografias bem ensaiadas. Se há um item que mais dificuldades impõem aos jurados na escolha dos melhores, este item é a Comissão de Frente. Vale conferir.