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SÃO JOÃO DEL-REI, Terça-feira, 27 de Junho de 2017  •  Ano XIX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: Shakespeare

Em 1996, a Fundação Clovis Salgado, administradora do Palácio das Artes em Belo Horizonte, teve a iniciativa de criar um Prêmio de Incentivo à Dramaturgia. Os concorrentes a ele deveriam desenvolver um texto teatral sobre a obra de um dos dois maiores dramaturgos do mundo, Shakespeare ou Molière. Eu decidi concorrer com um roteiro que englobava cenas específicas de peças do dramaturgo inglês, criando uma narrativa que dava continuidade às diferentes cenas. A ele, dei o nome de A Paixão, segundo Shakespeare. O texto recebeu o prêmio (na verdade, o patrocínio) da Fundação Clovis Salgado para a produção do espetáculo a ser encenado no Teatro João Ceschiatti, um espaço de arena nas dependências da Fundação.

Shakespeare é, sem dúvida, um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. Sua obra, impregnada de dramaticidade e poesia, trata da complexidade da natureza humana. E justamente por essa razão jamais perdeu sua atualidade, embora seus textos tenham sido escritos no final do século XVI e no início do XVII. Em A Paixão, segundo Shakespeare estão cenas de “Hamlet”, “Macbeth”, “Othelo”, “Romeu e Julieta” e “O mercador de Veneza”.

O espetáculo foi encenado no final de 1996, no Teatro João Ceschiatti, sob minha direção; e também no Teatro Alterosa, na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, evento que ocorre anualmente em Belo Horizonte, entre janeiro e fevereiro, numa promoção do Sindicato de Produtores de Artes Cênicas (SINPARC).

Neste ano, em conversa com o diretor de teatro Pedro Paulo Cava, que a custo mantém em funcionamento o seu Teatro da Cidade em Belo Horizonte, soube que ele estava à procura de um texto para encenar. No decorrer do papo, minha mulher sugeriu que ele pensasse em produzir, numa nova versão, com outros atores, A Paixão, segundo Shakespeare. Pedro Paulo gostou da ideia e o projeto criou raízes. No fim do ano passado, a peça estreou no Teatro da Cidade e fez enorme sucesso na Campanha de Popularização do Teatro e ainda está em cartaz na capital mineira. Ao roteiro original, Pedro Paulo acrescentou um trecho memorável de “Júlio Cesar”.

Com um elenco de dez atores, o espetáculo fará uma única apresentação em São João del-Rei, no Teatro Municipal, no próximo sábado, 20, às 20:30 horas. Para que isso fosse possível, o espetáculo teve que contar com o apoio da Unimed – São João del-Rei, da Cultura Inglesa e do Centro Cultural Feminino. A peça terá um público de convidados, sendo reduzido o número de ingressos à venda na bilheteria do Teatro Municipal, de 15h às 18h, ao preço de R$40 (inteira) e R$20 (meia entrada).

Outra atração
Enquanto isso, uma outra atração fantástica está em cartaz no país inteiro e pode ser vista nas redes sociais, nas televisões, nas rádios e na imprensa escrita. Trata-se do espetáculo “Corrupção para todos os gostos”, protagonizado por partidos políticos e seus membros, empresas milionárias e seus executivos, funcionários públicos e cidadãos sem nenhum caráter. Fica a pergunta, já que perguntar não ofende: aonde vamos parar?

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Um comentário para “Pelas Esquinas: Shakespeare”

  1. Hélio C. Silva disse:

    Já estava me preparando para enfrentar, na noite de sábado (20/05), uma longa fila na bilheteria do Teatro Municipal para assistir à peça teatral “Paixão – segundo Shakespeare”, quando fui então informado de que o espetáculo terá um público de convidados, sendo reduzido o número de ingressos à venda no sábado (20/05) a partir das 15 horas.
    Por certo, uma longa fila se formará ante a bilheteria bem antes das 15 horas,mesmo sabendo que o número de cadeiras disponíveis, dependerá do número de “convidados”.
    Paciência! (A propósito, já disse o gênio de Stratford-upon-Avon, que a paciência é a maior virtude do ser humano. Até lá, vou parafraseando a irresolução hameletiana: “To go or not to go; that’s the question” or rather, “that’s my doubt”.

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