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SÃO JOÃO DEL-REI, Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: Tópicos

Os fins e os meios
Há, atualmente, uma rejeição generalizada pelos políticos brasileiros e, de certa maneira, pela política. Delações de todo tipo, boa parte delas sem provas concretas, factuais, reduzidas a acusações verbais nem sempre investigadas a fundo, trazem como consequência (o que é absolutamente natural) uma descrença, uma desesperança na maioria da população e repulsa pertinente à conduta de boa parte de nossos parlamentares e governantes. É tanta corrupção, diariamente posta às claras pela TV, pela imprensa escrita ou falada, que há até quem apele, irresponsavelmente, por formas ditatoriais de governo, até mesmo com a participação das Forças Armadas. E há também aqueles que simplesmente decidem se afastar da participação política, de eleições, de discussões sobre condutas legislativas, executivas e judiciárias.

É justamente nessas horas de crise que uma atitude mais prudente é necessária. Deixar-se levar pela irritação, pelo desânimo, pela descrença, ou pela agressão, pela atitude belicosa, pela manifestação vingativa não é o melhor caminho nestas horas. Nas crises, é necessário ter tranquilidade para optar pela forma de reação, reflexão sobre as consequências eventuais da atitude de contraposição. “Fora Temer” é fácil gritar. Mais fácil ainda é ter vontade de gritar. Mas resolve exatamente o quê? Um caos ainda mais obscuro, uma situação ainda mais onerosa. Cuidado com a prescrição esquerdista radical de que “os fins justificam os meios”. É preciso pensar diferente: “Os meios qualificam os fins”.

Estamos há pouco mais de um ano das eleições de 2018. Não é o momento de mergulharmos todos numa situação mais crítica do que a que já estamos atravessando. Pelo contrário. É tempo de concretizarmos as reformas indispensáveis para resolvermos pelo menos parte de nossos problemas fiscais, econômicos e sociais: as reformas Previdenciária, Política e Tributária, já que a Trabalhista já foi aprovada. E não nos esqueçamos de que a inflação está em baixa (3.7%), os juros já estão em um dígito e estamos com um superávit comercial. Por outro lado, o desemprego continua em 13.5%, e a nossa indústria ainda dá sinais de fraca recuperação. Que ninguém esqueça, principalmente, que foi o Governo Petista que institucionalizou a corrupção generalizada e nos levou ao desastre que estamos vivendo…

Verdade dos números
Na sessão da Câmara Federal que impediu a investigação sobre Temer pelo STF, por maioria de votos, o presidente foi acusado de “comprar” votos com a liberação de emendas parlamentares. Não há nada de ilegal nisso. As emendas parlamentares são de liberação obrigatória e 50% das verbas liberadas têm que ser destinadas, também obrigatoriamente, para a Saúde. O Governo tem é o direito de liberá-las quando quiser, mas tem que fazê-lo. Claro, todos os governos, os de ontem e o de hoje, sempre liberaram as verbas de parlamentares quando precisaram de seus votos para aprovar alguma medida de seu interesse. Eu disse todos os governos. É a prática republicana. O presidente Temer fez isso. Mas as verbas não foram liberadas só para parlamentares da base governista. Os da oposição também foram agraciados. Para dar um exemplo: os tucanos que votaram com Temer receberam R$3,85 milhões e os contra R$3,53 milhões. Na média, cada parlamentar que votou a favor de Temer teve liberados R$3,4 milhões, e os contrários R$3,2 milhões. Isso foi a média, porque a deputada comunista Alice Portugal (PC do B-BA), uma das que acusaram o presidente de “comprar parlamentares” conseguiu receber uma das maiores dotações parlamentares, de R$10,5 milhões…E, não custa lembrar, as emendas parlamentares correspondem apenas a 1,2% da receita corrente líquida prevista no projeto orçamentário enviado pelo governo.

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