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SÃO JOÃO DEL-REI, Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: Recordações

Numa noite dessas últimas, cansado do vergonhoso noticiário televisivo que colocava à mostra mais corrupção, mais ataques ao dinheiro público, mais fraudes, mais propinas, mais delações (nem sempre consistentes, mas sempre preocupantes)… desliguei a TV e mergulhei em recordações de amigos que já se foram desta vida e dos quais privei a companhia, a amizade e com os quais realizei projetos culturais em equipe durante boa parte da minha trajetória.. Foi assim que me veio à mente a figura de Mauricio Ferreira, o Mauricinho, percussionista exemplar, sambista emérito, intérprete musical consagrado, puxador dos sambas-enredo da Escola de Samba Qualquer Nome Serve e do Cordão Encarnado. Foi em 1972 que nos conhecemos, justo no ano em que a ESQNS trouxe para a avenida o enredo Castro Alves Pede Passagem. Logo em seguida convidei-o para juntar-se à equipe do Teatro Experimental, em Belo Horizonte, onde começaria um período de aprendizagem como técnico de palco, contrarregra e eventualmente até mesmo como ator. Foi nesta profissão, a de técnico de palco, que Mauricinho acabou sendo contratado pelo Palácio das Artes em 1983, e lá aprimorou suas qualidades tornando-se um dos mais competentes auxiliares cênicos de Belo Horizonte. Nossa convivência era permanente, particularmente nas rodas de samba, em minha residência, na dele, ou em muitos dos botecos da capital mineira. Foi dedicado a ele, exímio ritmista, um dos meus sambas que exalta exatamente este gênero musical. A letra segue abaixo:

Minha Verdade
O samba
é a única coisa que eu tenho de meu,
minha luz, minha verdade.
Me consola, pois eu sei, na minha idade
não é fácil se encontrar felicidade.
O samba
é o sol que atravessa uma nuvem vadia,
colorindo de luz as belezas que nascem
quando nasce o dia.
O samba me faz em pedaços,
logo depois me recria,
Samba é tudo que eu faço,
é régua e compasso
que traçam meu guia.
Samba
é coisa de fé, é rumo, é destino,
não é de escolha:
é como fruta no pé,
como flor se abrindo,
é orvalho na folha;
o Samba é o sangue que corre
nas veias de quem batucou no terreiro,
e que identifica pro mundo
o que é ser brasileiro…
(mas o Samba)

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