? Artigo: Preconceito | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Domingo, 17 de Dezembro de 2017  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Artigo: Preconceito

por Douglas S. Nogueira

O preconceito seja racial ou não sempre foi algo muito discutido por todo canto do mundo. Objeto até mesmo de reuniões governamentais, o mesmo desencadeou e desencadeia a cada instante polêmicas.

O preconceito é algo mesquinho da parte de nós seres humanos, discriminar alguém por sua cor, religião, seu peso, partido político ou incrivelmente time de futebol é realmente de dar nojo.

Todos nós temos uma escolha e maneira de pensar, acatamos aquilo que nos agrada, nascemos diferenciados e, portanto, o respeito mútuo é mais que importante.

O fato de desprezarmos alguém por motivo de seus detalhes físicos ou suas escolhas, estamos mostrando o nosso pequeno tamanho e a nossa grande mesquinhez.

O preconceito no Brasil ainda fica muito abaixo se comparado a outros países, como é o caso de nações onde a religião islâmica é ditada a todo o povo e ai daquele que não seguir tal crença, simplesmente a morte o aguarda. Isso nada mais é do que um grandioso preconceito para com as demais religiões, na cabeça de tal gente nenhuma outra serve somente a deles.

Há casos também de brasileiros cujas religiões eram o cristianismo que ao chegarem em nações onde o budismo predominava, foram simplesmente deixados de lado como indivíduos sem serventia alguma.

Mas voltando aqui ao Brasil, a pouco tempo atrás ficou voando aos ares um comentário de que nordestinos vindos de mala e cuia à capital paulista, ao chegarem eram caçados e exorcizados por jovens paulistanos pelo simples motivo de virem do nordeste brasileiro.

Na questão de empregos existe aí um grande preconceito por parte dos empregadores em dois quesitos, altura e peso. Muitas empresas alegando necessitarem de funcionários com uma alta estatura, por motivo de possuírem serviços em que a mesma é exigida, deixam de contratar uma pessoa de baixa estatura, mas capacitada. O mesmo ocorre com o quesito peso, muita gente não encontra emprego por fazerem parte do time dos gordinhos.

Os negros todos sabem sempre foram alvo de todo e qualquer tipo de preconceito, nas questões trabalho, escola, política, esportes em geral e até mesmo vida sentimental, onde negras e negros foram e ainda são desprezados no momento de conseguirem um par romântico.

A mais conhecida e estudada fase de preconceito contra negros é com certeza o período da escravidão, onde os brancos europeus aprisionavam crioulos e os faziam de instrumentos para trabalhos de seus interesses. Não resta dúvida de que os negros foram aprisionados e escravizados, simplesmente pelo ódio e nojo dos brancos europeus para com suas cores.
Ainda hoje principalmente em nosso país, negros penam dentro de empresas em serviços brutos e pesados pelo fato de não conseguirem promoções dignas de suas capacidades, apenas por serem de peles escuras.

No entanto, não somente os negros como muitos outras raças teoricamente “diferentes”, são visadas negativamente na questão capacidade para trabalho, o preconceito prevalece e muito no momento de uma contratação ou mesmo promoção.

Mas o preconceito apresenta-se em vários tipos, como é o caso do fator pobreza. Dificilmente uma família bastarda privilegiada por uma boa grana, aceita que um humilde rapaz ou uma simples moça ingresse através de um casamento em sua família, a não ser que seja mais ou menos como a história dos teimosos Romeu e Julieta que batalharam até o fim independentemente das circunstâncias que os afligiram.

O preconceito é algo que destrói nosso eu, sem que percebamos. Todos nós temos capacidades e potencialidades escondidas atrás de uma pele escura ou bem clara, de um peso um pouco acima do normal, de uma conta bancária que nenhum centavo apresenta ou de uma crença tida como “esquisita”.

Dessa forma o fator respeito, deve se fazer presente em toda e qualquer relação humana, nos trazendo a imparcialidade para não sermos injustos com quem é capaz e deixando de lado o maldito e cego preconceito.

* técnico de manutenção e planejamento