? Editorial: São João del-Rei: 304 anos | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Domingo, 17 de Dezembro de 2017  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Editorial: São João del-Rei: 304 anos

São João del-Rei é um dos municípios mais antigos de Minas Gerais, chegou a ser forte candidato a capital do Estado e, hoje, poderia facilmente assumir o posto de “cidade intrigante”.

Não acredita? Pois bem. Basta dar um passeio rápido entre o Centro Histórico e o Bairro Fábricas. Aliás, os próprios nomes já dão indícios da dualidade local. De um lado, os casarios, as igrejas e as ruas pavimentadas com pedras. De outro, uma área já considerada polo comercial, caminhos para campi universitários, longamente asfaltada, conectando a área urbana a rodovias que levam quem passa por ali inclusive para Belo Horizonte.
O próprio Matosinhos também reúne essas nuances dúbias. Na comunidade cortada pela tradicional Maria Fumaça, traços da urbanidade moderna também se manifestam. É claro que há impasses patrimoniais perpassando o cenário e sim, eles merecem consideração, reflexão, alerta. No entanto, hoje, às vésperas das comemorações pelos 304 anos de São João del-Rei elevada a vila, o que conta é essa metáfora importante sobre convivência, diferenças, coexistência harmoniosa.

Algo que se manifesta inclusive nas práticas culturais locais. No Centro, além de igrejas barrocas dividirem espaço com o neo-gótico da Capela de Nossa Senhora das Dores, por exemplo, é interessante notar as intervenções realizadas pelo grupo Lendas São-Joanenses, por exemplo. Aquele espaço, que respira historicidade, se torna palco para a encenação de causos que tomam conta da mitologia local e, agora, podem se tornar livro infanto-juvenil – somado à publicação inicial, de Lincoln de Souza, que deu ideia ao projeto cênico.

Com isso, há respeito pela memória popular, propagação de tradições. E é assim que São João del-Rei se faz, nessa costura intermitente entre linhas do passado, do presente e de expectativas sobre o futuro.

E será assim que, passados outros três séculos, o nosso hoje (carregado de todo o ontem até aqui) será retratado, lembrado, ensinado, mantido.