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SÃO JOÃO DEL-REI, Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Artigo: A cadeira atrás da porta

Por Cleir Edson

Meus queridos e fiéis leitores, acredito cegamente que muitas pessoas fazem algo parecido com um hábito praticado por mim desde tempos imemoriais… Digo isso com toda convicção baseado nessa mística que permeia os costumes, as crendices, as superstições e o modo de viver dessa brava gente brasileira.

Vocês já devem estar muito curiosos a respeito de qual assunto vou falar, não é verdade?
Vamos lá: todas as noites, ao longo da minha vida, antes de ir definitivamente para a cama dormir, vou até a porta da sala, pego uma cadeira e a encosto junto à porta…!

Sim, há muitos anos pratico essa estranha superstição (afinal todas são!), que atravessou meus três casamentos para espanto e admiração de minhas ex-esposas, as quais sempre fizeram comentários de incredulidade e, muitas vezes, por que não dizer, até divertidos. Meus dois filhos, do primeiro casamento, riam de mim quando eu fazia aquilo, embora o mais velho tivesse também colocado, algumas vezes, antes de eu fazê-lo.

Nessa altura vocês me perguntariam: por quê? Para quê?

Minhas ex sempre perguntaram, retoricamente, claro:

– Cleir, adianta alguma coisa essa cadeira aí?!

Ao que igualmente sempre respondi: acho que sim, ao menos escuto o barulho e tenho tempo de reagir. E naquele momento de minha resposta, todas elas abanavam a cabeça como quem diz… superstição de louco! Umas delas chegou a dizer várias vezes:

– Não adianta nada isso aí.

Eu poderia, aqui e agora, enumerar no mínimo umas trinta crendices e superstições mais populares de nossa gente. Poderia escrever páginas e mais páginas sobre o tema de cada uma, mas não é essa a razão maior de meu artigo hoje. Não. Meu objetivo é outro.

Quero lhes falar particularmente desta minha crendice – A cadeira atrás da porta – e se vocês me perguntarem por que durante tantos anos eu faço isso, inclusive nas vezes em que vivi e vivo sozinho como agora, eu não saberia ao certo responder aquilo que satisfaria com exatidão a sua curiosidade, mas de uma coisa tenho certeza: a de que alguém, um anjo de guarda, algum espírito protetor se senta nessa cadeira; ah, sim, disto estou certo: alguma entidade extraordinária sempre se assentou ali para cuidar da nossa, da minha porta.

Por isso esse tema me é instigante, misterioso, extraordinário. Esse é o motivo de eu estar aqui, neste sagrado momento, falando sobre.

Acredito que muitos de nós, seres humanos, temos nossas crendices, nossa fascinação pelo sobrenatural. Eu não me lembro quando nem onde, mas sei que algum dia, num passado distante, durante meu primeiro casamento, eu passei a fazer isto: colocar uma cadeira atrás da porta de entrada de nossa casa. E isso se introjetou em mim de tal maneira que passei a ter absoluta segurança, e mais, plena certeza de que nada nem ninguém passaria por aquela porta! E nunca passou! Nunca passa! Jamais passará!

Por isso tenho muita alegria e satisfação, após tanto tempo, em compartilhar com vocês, meus queridos e constantes leitores, que tanto me prestigiam, esse costume, ou melhor, essa superstição, hoje transformada em convicção. Estava guardada dentro de mim esperando o momento certo de ser dividida e entregue a vocês e ao Universo. Como já disse antes, creio que muita gente possui sua crendice, sua superstição e que, pelo mesmo motivo, gostaria de compartilhar, portanto faço um convite: ponha para fora, escreva, conte para alguém, esposa, marido, filho, parente, amigo, não importa quem, mas divida essa mágica, essa mística que existe em você e verá como é enriquecedor, gratificante e quanto bem-estar vai lhe trazer.

*professor