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SÃO JOÃO DEL-REI, Segunda-feira, 16 de Julho de 2018  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: Tópicos

Com todo o respeito

Meus respeitos àqueles que alfabetizam adultos, levando luz onde as trevas da ignorância se instalaram. Deste ato heroico não sou capaz.

Minhas homenagens às professoras municipais que trabalham em escolas do meio rural, em condições muitas vezes precárias, para ensinar as primeiras letras aos que estão apenas começando a viver. Esta dedicação eu não teria jamais.

Meus respeitos àqueles que se colocam à frente de movimentos comunitários e de assistência social, organizando os excluídos, consolando os aflitos, angariando recursos que possam minorar as agruras dos desamparados e que o fazem, e são a exceção, sem pretender criar a base eleitoral de sua carreira política. Meu mais profundo respeito, embora, perdoem-me, não creia na eficiência da maioria dessas iniciativas assistencialistas.

Minhas homenagens aos que cuidam dos idosos, aos quais faltam forças para o menor dos gestos, atraiçoados que foram pela arteriosclerose, pela perversidade da Alzheimer, pelo rigor das artrites reumatoides, pela anquilose das junturas. Que a mim falta a paciência para suportar a incapacidade física dos outros, já que também a minha me é insuportável.

Meus respeitos àqueles que adotam crianças abandonadas maldosamente pelos pais, ou simplesmente órfãs de tenra idade, e as criam com amor de genitores legítimos. Este grau de afetividade não possuo.

Minhas homenagens aos que têm fé e, conformando-se com o que dizem ser a vontade de Deus, suportam as injustiças humanas, as humilhações, a discriminação, a falta de recursos, os rigores do frio, o descaso com que são tratados pelos poderes e autoridades constituídas, a precariedade do atendimento à saúde. Não tenho, hoje, vivência dessas situações para comover-me com sinceridade, nem possuo fé suficiente para crer que é a mão de Deus que conduz as ações humanas.

Meus respeitos aos voluntários do mundo inteiro que, sem nada exigir para si, estão onde está o sofrimento humano, como na Cruz Vermelha. Estão onde é preciso estar a resistência ao desmando e à força deletéria de governos, como no “Green Peace”. Eu não possuo esta sensibilidade humanitária e coletiva.

Minhas homenagens aos que ainda acreditam que é possível mudar, para melhor, os seres humanos e o mundo, e que haverá paz e concórdia entre os povos, o trabalho dignificado e para todos, as crianças protegidas, os idosos respeitados, o capital benéfico e distribuído segundo competências, mas também suprindo necessidades. Eu já perdi as esperanças nestas utopias. Não creio nem mesmo no mínimo, que é a honestidade na administração do que é público como preceito básico ao exercício de qualquer cargo eletivo, embora haja, e sempre houve, embora raras, as exceções.

Rendo homenagens. Meus respeitos. É tudo que eu posso ainda fazer.