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SÃO JOÃO DEL-REI, Quarta-feira, 18 de Julho de 2018  •  Ano XX  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Artigo: Humanidade e Jornalismo

Por Mariane Fonseca

Impresso semanal, trabalho diário. Da definição das pautas à distribuição das matérias por páginas, há um longo processo produtivo. Um texto que você lê em 8 minutos pode demorar um dia inteiro para ser apurado, outras boas horas para ser redigido, diferentes releituras para ser revisado.

Isso sem falar, claro, nos impasses de bastidores. Nem todas as fontes querem falar sobre determinado assunto; muitos envolvidos em polêmicas tentam evitar a crise e se mantêm em silêncio; outros se sentem cutucados com perguntas incômodas e reagem de forma nada amistosa.

Há, claro, o outro lado da moeda. Entrevistados narram suas dificuldades diárias, contam reviravoltas inesperadas, revelam desesperos, apresentam projetos transformadores; narram sonhos; choram seu luto.
Do outro lado, seja numa linha telefônica, com um gravador em mãos, ou rabiscando tudo num bloquinho, está alguém que tem como função absorver, interpretar, compreender, recortar e escrever tudo isso. Alguém com carne, osso, alma, crenças e emoções como aquele que fala e terá sua versão dos fatos traduzida. Alguém tão humano quanto aquele que lerá a Gazeta. Como você.

O jornalismo é feito dia a dia, rotina a rotina, dificuldade a dificuldade, a partir de contatos. Do tête-à-tête, da ação de “me conte o que está acontecendo”; da busca por interpretações com a maior objetividade possível e conversões em textos com clareza.

Não é fácil. Não é fácil se encontrar numa posição em que precisa confrontar alguém; não é fácil segurar o choro na tragédia, na lamentação, na busca por justiça; não é fácil ter todo esse material em anotações, arquivos de áudio ou imagens mentais e ter que descrevê-lo com isenção. Não poder colocar sua voz como cidadão cansado, como pai ou mãe preocupado, como profissional nem sempre reconhecido, como alguém que quer o melhor para a comunidade e o país.

Por outro lado, talvez esteja aí a grande beleza de informar. Um assunto não se esgota com a matéria publicada e lida. Ele continua a se construir com a visão de mundo de quem o recebe impresso; com complementos encontrados em outros veículos; com debates e dedos de prosa.

Na Gazeta não se ousa entregar uma verdade pronta. A realidade nunca o é. Mas se persiste em sua busca há 20 anos. Tudo isso focando na proposta árdua de, toda semana, buscar a notícia com humanidade, dedicação e amor. Por, para e com você.

* jornalista