? Pelas Esquinas: Celebrando | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: Celebrando

São João del-Rei é, sem qualquer dúvida, uma das cidades que mais se destacaram no terreno da criação de órgãos de imprensa escrita nos séculos XIX e XX. A pesquisa mostra que jornalistas se esmeraram na criação de seus veículos impressos, abrangendo todos os estilos, sem faltar aqueles satíricos e sarcásticos, humorísticos e zombeteiros na cobertura de fatos políticos e do cotidiano dos cidadãos. Muitos dos veículos criados tiveram vida efêmera, duração curta, enquanto outros se inscreveram na história, como o “Pátria Mineira”, um dos jornais pioneiros na luta pela implantação e defesa da República.

O Golpe Militar de 1964, entre suas medidas de corte de certos privilégios empresariais, liquidou com o subsídio na compra do papel para a impressão de jornais e revistas. Naquele momento, São João del-Rei tinha dois jornais diários, “O Correio” e o “Diário do Comércio”, ambos porta-vozes de dois dos partidos políticos mais importantes da época: a UDN mandava no “Diário do Comércio” e o PSD no “O Correio”. O corte do subsídio tornou impossível a manutenção daqueles veículos, sem contar o fato de que o regime militar, em 1965, editou o Ato Institucional Nº2, liquidando com o pluripartidarismo existente, ou seja, extinguindo os 13 partidos registrados na época e obrigando o Congresso a criar apenas dois partidos possíveis: o “ARENA”, governista, e o “MDB”, oposição. A imprensa escrita em São João del-Rei desapareceu.

Foi para ocupar o vazio da imprensa veicular que Joanino Lobosque criou o “Jornal do Poste” na década de sessenta e que acabou inspirando outros tantos jornais murais, que povoam o centro da cidade e poderiam ser considerados como “Blogs de Rua”.

Demorou bastante tempo para aparecer jornais são-joanenses com edição regular, embora semanal. Jornais diários nunca mais apareceram. Dos semanais, os mais constantes foram “O Raio” e o “Ponte da Cadeia”. O primeiro está voltando a circular nos dias atuais, graças ao empenho de seu fundador, Demerval, o Dedé do Raio; o segundo, presente de 1967 a 1980, desapareceu com o falecimento de seu criador, o jornalista Adenor Filho. Um outro semanário, mas bem irregular em suas aparições, é o “Tribuna Sanjoanense”, de circulação alternada.

Foi no meio do vácuo de veículos impressos com regularidade, registro histórico dos acontecimentos econômicos, políticos, culturais e sociais da cidade, que meu amigo Herval Cruz, em 1998, criou a Gazeta de São João del-Rei, que neste julho completa 20 anos de existência, graças ao esforço de uma equipe de trabalho constante e a competência de administradores que assumiram a gerência do semanário como missão a cumprir, mais do que puro trabalho administrativo. Hoje, a Gazeta circula pela Vertentes, trazendo à luz as conquistas, mas também os percalços da região. Quem está acostumado às vicissitudes do jornalismo, às dificuldades da autossustentação deste tipo de empreendimento, sabe que 20 anos de trabalho neste setor não é uma tarefa fácil de ser cumprida. Neste julho, a Gazeta merece os aplausos especiais dos seus leitores pelos 20 anos de serviços prestados a São João del-Rei.