? Editorial: PAI | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Editorial: PAI

Voz firme, coração mole, abraço seguro. Em alguns casos instinto cuidador, cheiro de canjica quentinha, sopa com gosto de amor e almoço aos domingos garantido pelas mãos dele. Em outros, músicas nostálgicas, instinto protetor, uma forma diferente de falar de amor, “Avôhai”. Há ainda casos em que a distância é de quilômetros, mas o coração é tão grande que forma uma ponte inquebrável, é companheiro de balada e tem a qualidade inata de fazer sorrir, instinto acolhedor.

Cada um a seu modo, vivendo, ensinando a viver, e engolindo o próprio pranto para viver o drama do outro. Aparentemente não há problemas, são duros na queda, não se deixam abater, ao menos não na frente de quem se quer cuidar.

Um copo de cerveja, um brinde no bar acompanhado de uma prosa mais longa, e o instante em que se abrem e deixam escapar alguns centímetros do que escondem no fundo do coração. As vezes aparece até uma lágrima para lembrar que há momentos em que é preciso se despir da capa de super-herói. No dia seguinte vida que segue, nada aconteceu.

O olhar mais apaixonado, o colo mais aconchegante, um gigante que não sabe sua grandeza, que se conseguisse se ver através dos olhos apaixonados de suas crias se descobririam heróis. Aquele que quando falta deixa no peito um vácuo, um vazio que nada pode cobrir e que Sérgio Bitencourt bem sabia ao falar da dor de olhar para a mesa vazia “Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim”.

Uma palavra pequena, três letras, uma sílaba e todo amor do mundo dentro dela: Pai.

E parafraseando Gilberto Gil, à todos aqueles que se fazem presentes na vida dos filhos e estão lá para o que der e vier, “Quando me vir beijar outro homem qualquer, diga a ele que eu quando beijo um amigo, estou certo de ser alguém como ele é. Alguém com sua força pra me proteger. Alguém com seu carinho pra me confortar. Alguém com olhos e coração bem abertos Para me compreender”.