? Pelas Esquinas: 2019 | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: 2019

2019
2019 chega com a perspectiva de mudanças no exercício da atividade política, pelo menos no que diz respeito ao presidente da República. Quanto ao Congresso, a incógnita permanece: há anos que esperamos dos nossos representantes atitudes mais transparentes, mais éticas, mais racionais, mais progressistas, com menos mordomias, e mais respeito aos seus eleitores e ao país ao qual deveriam servir.

As mudanças não são apenas esperadas no âmbito da presidência. Nós, os mineiros, estamos diante de um governador cercado de interrogações: o que fará Zema? O Estado de Minas, arruinado economicamente pela mediocridade de Pimentel à frente do governo, atravessa um momento crítico que não apenas sufoca economicamente a produção, mas também prejudica e atrasa o pagamento de salários do funcionalismo público. Ironia do destino: parte deste funcionalismo foi justamente o que mais votou em Pimentel na eleição de 2014…

Palavras são, evidentemente, muito mais fáceis de serem dominadas pelos seus usuários. Bolsonaro, um personagem centro-direita, já repetiu à vontade o que pretende fazer, suas metas prioritárias, sua maneira de agir sem toma-lá-dá-cá, seu combate direto à corrupção, sua fixação na transparência, na responsabilidade à frente do governo, sua confiança na solidariedade e participação de todos na luta contra o déficit fiscal. Mas palavras, como dizia o Hamlet, de Shakespeare, são só “palavras, palavras, palavras…” Na hora de agir as coisas mudam de figura, particularmente quando dependem do Senado e da Câmara dos Deputados. Sem maioria confirmada de ante-mão, e este é o caso atual, o presidente terá que negociar. No atual regime, o presidencialismo, este é um dos maiores entraves da governança: é aí que se cai no “toma-lá-dá-cá” Aliás, é esta ameaça, uma das razões pelas quais os países mais desenvolvidos, com exceção do Estados Unidos, partiram para o parlamentarismo, regime no qual, quando um impasse ocorre entre o executivo e o Congresso, o presidente decreta nova eleição legislativa, não cai no “toma-lá-dá-cá”.

Mas é preciso ter esperança. Vamos cruzar os dedos, fazer preces (os que nelas acreditam) e esperar que as palavras, desta vez, tornem-se realidade, progresso, emprego, salários dignos, saúde, sobretudo educação, sem a qual nenhum país se destaca no universo das nações.

2019 pode ser um marco histórico. Pode ser, já que neste Brasil é muito arriscado ter certezas, particularmente sobre os governos, federal, estadual e municipal…