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SÃO JOÃO DEL-REI, Sábado, 23 de Março de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Retratos são-joanenses

Por José Antônio de Ávila

Construção terminada em 1913, para comemoração do segundo centenário de elevação de São João del-Rei a Vila. Nele deveria instalar-se uma exposição industrial permanente, mas ficou abandonado e vazio, durante décadas, sem que nenhum Prefeito tivesse a normal inspiração de instalar ali uma escola, serviço público ou algo de interesse social geral. Durante as célebres festas anuais de Matosinhos, no térreo alojavam-se bancas de jogos diversos, bares, diversões. Essa foi a sua única utilização, descabida, parcial e ocasional. Edifício ainda absolutamente sólido, apesar de maltratado pelo tempo e abandono, foi destruído pela prefeitura, lá pelo ano de 1938. Um fiscal informou que o motivo era o fato de casais de namorados se aproveitarem do vão das portas do térreo, e cabritos também… A foto demonstra a grandiosidade e a beleza do estilo original do edifício. Muitos anos, depois da destruição do Pavilhão, no local foi construída a Escola do SENAI.”
(Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, Vol. I, 1973, pág. 3. – Foto i.d. e de autoria ainda desconhecida).

Pavilhão de Matosinhos - Foto: I.D. e de Autoria desconhecida

Pavilhão de Matosinhos – Foto: I.D. e de Autoria desconhecida

O Pavilhão, típico exemplar da arquitetura mourisca (de origem hispano-muçulmana), teve sua construção iniciada no ano de 1913 e foi inaugurado em 14 de julho de 1914, com a esfera da cúpula principal simbolicamente instalada pelo dr. Pestana, então diretor da Estrada de Ferro Oeste de Minas, acompanhado pelo sr. Carlos Guedes, tudo com muita pompa e circunstância: foguetório, discursos, muita gente e apresentação da banda de música do então 51º Batalhão de Caçadores executando dobrados; fizeram uso da palavra Sebastião Sette (discursando em nome da comunidade), Odilon de Andrade (falando oficialmente pelo Município) e o intelectual Severiano de Resende. Ainda que imponente e muito sólido, o imóvel acabou por ser subutlizado e era usado apenas em épocas ocasionais. No ano de 1923 houve uma tentativa para reativá-lo com a implantação de um laboratório para análise de terras e para abrigar feiras de máquinas e produtos agrícolas, sem êxito.

Sediou durante algum tempo a Escola Padre Sacramento, depois transferida para o Patronato, e depois caiu em completo abandono, passando a servir de abrigo para mendigos e animais, para encontros fortuitos de casais e usado como bancas de jogos de azar durante as festas em Matosinhos, até que, no ano de 1938, foi posto abaixo com o uso de poderosos explosivos. O terreno permaneceu ocioso por mais de uma década; depois, para reaproveitá-lo, construíram no local uma escola, o SENAI, atual Centro de Formação Profissional Prof. Sílvio Assunção Teixeira, que foi inaugurada no ano de 1952, o que desfaz a crença de que a demolição do Pavilhão tenha tido relação direta com a construção da escola.

*Historiador