? Retratos das Vertentes | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Segunda-feira, 18 de Março de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Retratos das Vertentes

Por Por José Antônio Ávila

São Miguel do Cajuru é um dos cinco distritos do município de São João del-Rei e a sede distrital fica no leito de um a das variantes da Estrada Real. O surgimento do arraial remonta-se ao início do séc. XVIII e a origem mais provável dele foi a Fazenda do Engenho de São Miguel (já demolida, infelizmente). O topônimo São Miguel do Cajuru está ligado à devoção migueliana dos proprietários da antiga fazenda e ao vocabulário Tupi, onde Caá (mata) e Yuru (boca) são indicações de que aquele local seria a boca ou entrada da mata, isto é: a altura em que, vindo das matas do sul, o Caminho Velho atingia os campos limpos (das vertentes), deixando para trás, fechada, a boca-do-mato, ou seja, o Cajuru. O local já conheceu épocas de grande importância e, no Império, ligou seu nome ao dos Barões do Cajuru, João Gualberto de Carvalho e seu filho, Militão Honório de Carvalho que teve o nome vinculado à Revolução Liberal de 1842. Na época colonial instalaram-se no local importantes fazendas, além de a área ser conhecida região de lavras auríferas; hoje ainda há localidades com denominações antigas que nos fazem lembrar minas de ouro havidas nas imediações: Fazenda da Lavra, Fazenda da Beta… Como era praxe acontecer, a construção de uma Capela filiada à Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei foi consequência natural do desenvolvimento econômico e político do Arraial. Com o tempo, a primitiva Capela sofreu ampliações direcionadas para a parte externa, mas, felizmente, foi mantida e pode ser reencontrada intacta internamente, caracterizando-se pelos altares do arco-cruzeiro e pela Capela-mor que mantém seus elementos básicos de organização e acabamento, inclusive na pintura que apresenta motivos florais de cuidada feitura e colorido exuberante destacadas nas pinturas da nave, do antigo coro e da capela-mor, que constituem singular exemplo de arte religiosa rococó de Minas Gerais. O cuidadoso acabamento de suas talhas e o harmônico colorido de suas pinturas são trabalhos creditadas ao pintor ilusionista sacro Joaquim José da Natividade. Nesta imagem vê se o retábulo-mor da Igreja com a restauração já quase concluída (fotografia registrada em fevereiro/2019 pelo restaurador Carlos Magno de Araújo, responsável pelas obras e pelos respectivos serviços de restauração no templo).

 

*Historiador