? Pelas Esquinas: O equívoco | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI,  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: O equívoco

O Carnaval já passou. Mas deixou um rastro que precisa ser apagado, sob pena de manter-se como um desvio no correto julgamento do desfile das Escolas de Samba. Recebi dos Metralhas um documento que esclarece o episódio tumultuado que ocorreu no dia da apuração dos resultados que indicaram a campeã do Carnaval de 2019. Em nenhum momento a Escola de Samba Irmãos Metralhas reclama do resultado do julgamento: a vencedora foi a Vem Me Ver e estamos todos conversados. A natureza do questionamento dos Metralhas é outra: a Escola de Samba Irmãos Metralhas perdeu dois décimos como penalidade por não ter o mínimo de figurantes, exigidos pelo regulamento, numa das suas alas. Diz o documento que, “conforme previsão, ao final do desfile de cada agremiação, uma comissão da AESBRA se direcionava ao Presidente de cada agremiação a fim de que este assinasse um documento (relatório)”, constando qualquer irregularidade ocasionada durante o desfile, inclusive comunicando ao presidente da Escola, a punição aplicada, se tivesse havido qualquer irregularidade. E assim foi feito: o presidente da GRES Irmãos Metralhas assinou o documento apresentado pela AESBRA, “no qual constava que o desfile da referida agremiação ocorrera sem qualquer problema, dentro do tempo determinado, não tendo sido informada qualquer punição”. Para esclarecer, o documento informa “que o GRES Girassol foi punida e foi informada do fato no término do desfile, por ocasião da assinatura do relatório apresentado pela AESBRA”.

Para surpresa da entidade, no dia da apuração, na hora da apuração, foi tornada pública a informação de que o GRES Irmãos Metralhas seria punida, como foi, em 02 décimos, porque, segundo a comissão fiscalizadora da AESBRA, a terceira ala da Escola estaria com dois componentes a menos.

Ora, “por exigência da AESBRA cada agremiação é obrigada a apresentar, com antecedência, uma sinopse do seu desfile, contendo detalhadamente o que seria apresentado durante o mesmo”. A sinopse do Metralhas é claríssima: “a terceira Ala da Escola homenageia o Carnaval do Rio de Janeiro: membros vestidos com as tradicionais cores da nossa escola, preto e amarelo, portando pavilhões das escolas do Rio de Janeiro, seguidas de outros componentes, também vestidos com nossas cores, complementam essa homenagem trazendo bandeiras representando nossa Escola. A terceira ala da Escola tinha 28 membros”.

A Comissão da AESBRA considerou os membros que portavam os pavilhões do Metralhas como uma ala separada. Era só ler a sinopse entregue à AESBRA para verificar como era formada a terceira ala dos Metralhas. Foi por esta razão que o GRES Irmãos Metralhas protestou no dia da apuração. No episódio há dois equívocos alarmantes. O primeiro deles corrige-se com facilidade: a sinopse entregue pelas Escolas não deve ser lida somente pelos jurados; a Comissão da AESBRA que inspeciona o desfile para punir irregularidades deve, obrigatoriamente, ter conhecimento das sinopses também, para se inteirar do modo como os desfiles ocorrerão. Mas o segundo é mais difícil de corrigir. Afinal, a Comissão afirmou que o desfile tinha sido correto, sem punições. O documento final foi assinado pela Escola. De onde veio a punição que foi anunciada na hora do julgamento? Este o lado obscuro dos acontecimentos, a razão dos protestos dos Irmãos Metralhas no episódio…