? Retratos São-Joanenses 1068 | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Retratos São-Joanenses 1068

Por José Antônio Ávila

BREVES REMINISCÊNCIAS DA “ESQUINA DO KIBON:
Durante as décadas de 1960 e 1970, principalmente, e decadentemente até os anos 1980 ou até um pouco mais, a “Esquina do Kibon” da mineira São João del-Rei foi o ponto de encontro preferido da juventude, dos partidários da contracultura (ideologia que questionava os valores rígidos vigentes à época e que se negavam a adaptar às amarras deles e que almejavam viver livre e sendo e revolucionários dentro da máxima “Paz & Amor”) e dos adeptos psicodelismo (conjunto de experiências estimuladas pelo uso de substâncias alucinógenas). Tal grupo, com procedimentos ditos rebeldes, foram designados como “juventude transviada”, titulação herdada do título filme “Rebel Without a Cause” no Brasil, um clássico dirigido por Nicholas Ray e que contava com o indefectível James Dean no elenco. Um dos estabelecimentos famosos daquela esquina foi o extinto “Clever’s Bar”, que acabou sendo sucedido por uma confeitaria/café, depois, foi misto de bar/restaurante, e atualmente abriga uma loja de cosméticos. No “Clever’s Bar”, dentre outras coisas, era possível sorver boas doses (de “Hi-fi”, no meu caso!) e geladas cervejas enquanto a prosa rolava solta, engatava-se namoros e apreciava-se o movimento da esquina que parecia ser o lugar por onde quase todo mundo da cidade passava ou passeava… Outro registro da esquina é o de que John Winston Lennon “ainda revive” por ali graças à boa provocação de Toninho Ávila (Antônio Eduardo de Carvalho Ávila) e companheiros, que fizeram por onde recuperar uma antiga pintura do ex-Beatle que fora feita pelo artista Jaime na parede externa de um bar oposto ao “Clever’s”, no ano de 1980. Com o tempo, aquela obra desapareceu desgastada pelo tempo, por reformas e/ou encoberta nas repinturas da parede do imóvel. Mas, em boa hora, no dia 26 de abril de 2014, a efígie de John Lennon foi recriada pelos pincéis de Humberto Silva Costa e “ad perpetuam rei memoriam” voltou a imperar na esquina! Atualmente, infelizmente, se não considerarmos os degraus da portada da antiga sede do Banco do Brasil, em cujas escadas preferencialmente aboletavam-se os hippies, existem apenas duas lembranças boas e diretas da apoteótica “Esquina do Kibon”: a carcaça do “Clever’s Bar” e a recém-recriada pintura do John Lennon — efígie fotografada pelo autor deste texto — que ainda inspira ares saudosistas em muitas pessoas que transitam por aquela que um dia já foi a mais conhecida e afamada esquina da cidade.

*Historiador