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SÃO JOÃO DEL-REI, Quinta-feira, 27 de Junho de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas: Tópicos

IMPASSES
Na última semana a grande imprensa ocupou-se em, mais uma vez, desancar Bolsonaro pelo fato do presidente ter compartilhado nas redes sociais, um artigo escrito por um funcionário público federal que resumia a situação crítica deste começo de governo na constatação de que “o país é ingovernável sem o toma-lá-dá-cá imposto pela classe política do país e por corporações”. Alguém tem dúvidas sobre isto? Boa parte de nossos parlamentares, é fato sabido e consumado, agem em função de seus próprios interesses, ou de grupos que representam. Corporações e sindicatos também estão presentes, colocando seus interesses muito acima dos interesses do país. A imprensa critica o presidente porque confessa que é a classe política que ocasiona dificuldades para a governança e logo em seguida elogia o parlamento. Que importância tem isto? O presidente sabe, e reconhece, que ninguém governa sem o parlamento. Vinte e oito anos de mandato deram-lhe a certeza de que são as atitudes dos parlamentares que facilitam ou obstruem a tomada de decisões fundamentais diante de crises políticas, sociais e econômicas. As coisas já estão muito bem esclarecidas por parte do Planalto: o governo enviou um projeto para a reforma da Previdência, reforma indispensável, sob pena de em breve tempo estarmos numa situação de falência fiscal e sem meios financeiros para manter nem mesmo os direitos adquiridos. O governo sabe, e sabe muito bem, que é muito difícil esperar que a projeto enviado seja aprovado sem algumas emendas. Mas muito diferente é o Congresso colocar-se como o autor de um projeto substitutivo da Reforma da Previdência enviada pelo governo executivo. Nesta manobra, fica claro, e muito claro, que o Congresso quer aparecer à população brasileira como se fosse ele o protagonista da reforma da previdência e não aquele que dá seu aval ao projeto de autoria do governo. Bolsonaro sabe, como toda a sua equipe, que no Brasil, e não só no Brasil, o papel do Congresso é decisivo na aprovação de medidas que desejam transformações essenciais na conduta executiva de um governo que está enfrentando o desemprego assustador, o déficit fiscal, a estagnação da indústria, o rendimento ridículo e repetido do PIB, a desigualdade social e os privilégios de toda natureza que existem na sociedade brasileira. Mas isto não impede que se reconheça que grande parte de nossos problemas existe em razão de decisões de muitos dos parlamentares amparadas em ideologia anacrônica, ou em envolvimento com transações corruptas, ou em visões distorcidas da realidade nacional.

Para quem está muito atento ao que se passa no Congresso, não passa despercebida a intenção, talvez ainda incipiente, de se criar o parlamentarismo. Não para chegarmos a um nível bem mais avançado do que o nosso presidencialismo, um tanto obsoleto, mas simplesmente porque, criando o parlamentarismo, Bolsonaro perde força e mando, presença e mídia: a governança fica nas mãos do Primeiro Ministro, aprovado pelos parlamentares, que ganham presença governamental e, com certeza, mais popularidade…

OUTONO/INVERNO
Estamos no Outono, mas é como se já estivéssemos em pleno Inverno. Nas nossas manhãs, a neblina esconde o sol e dificulta a visão da paisagem, substituindo-a por outra, nebulosa, nevoenta, mas também linda e friorenta. E, às vezes, nem chega o sol, já que nunca se viu tanta chuva como neste ano. É tempo de agasalho, de retirar do armário as roupas de lã, as boinas, os bonés e até mesmo os chapéus, pulôveres, casacos, cachecóis. É tempo de caldos. Nos botecos e bares não se despreza a cerveja, mas o consumo diminui, aumentando a despesa com os destilados. O Inverno se aproxima e impõe a sua chegada…