? Retratos das Vertentes 1069 | Gazeta de São João del-Rei - O Jornal do Campo das Vertentes
SÃO JOÃO DEL-REI, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Retratos das Vertentes 1069

Por José Cláudio Henriques

NOSSO GINEGO
Faleceu no dia 03 passado JOÃO DA CRUZ MAGALHÃES mais conhecido por GINEGO. Grande carnavalesco que vai deixar saudades.Em depoimento para o Jornal O Grande Matosinhos de fevereiro de 2012 o Sr. Mário Gallo, mais conhecido como Tito Gallo, nascido em São João del Rei em 06/08/1922, nas proximidades da Praça Raul Soares, lembrava muito bem das antigas sociedades e ranchos carnavalescos da década de 1930, sendo alguns antecedentes dessa data, como o Clube X, que era o mais chique, onde saía a fina sociedade são-joanense. Seu reduto, segundo Sr. Tito era a Rua Santo Antônio. Da antiga Prainha, hoje Rodoviária Velha, saíam o “Boi Gordo”, da família Diláscio, e o “Custa mais Vai” do Ginego. Tinha também o “Clube dos Quarenta”, comandado pelo Álvaro de Souza, e o rancho “Prazer das Morenas”, dirigido pelo Eduardo Gâncio e Zé da Igrejinha. Naquela época, oficiais e praças se misturavam no animado carnaval, sendo que o 51º Batalhão de Caçadores, atual 11ºBIMth, emprestava belos cavalos que desfilavam como Abre Alas e Comissão de Frente das agremiações. Os salões de clubes eram muito frequentados, destacando-se o Athletic, Minas, Social, Sírio e Libanês e Salão da Associação Comercial, incluindo sempre a presença do presidente eleito Dr. Tancredo Neves e seu maior amigo Belizário Leite. O fim de noite ou o amanhecer era no Café República, o tradicional cabaré da cidade, que ficava perto do Posto de gasolina Strefeze. Ficavam movimentados também vários bares e principalmente o Café Ideal e o Café Rio de Janeiro. O corso carnavalesco não faltava durante o dia. Eram filas de automóveis como os famosos “Ford 29”, de capota abaixada, jogando confetes, serpentinas e limões de cera cheios de água perfumada.


A nova era das Escolas de Samba de São João del Rei teve inicio no ano de 1956 e seu precursor foi Jota Dângelo, médico, jornalista, professor e teatrólogo, que criou a fantástica Escola de Samba Qualquer Nome Serve. Depois surgiram a “Falem de Mim” que, juntamente com a Qualquer Nome Serve, eram as preferidas da elite são-joanense. Em seguida apareceram a verde branca “Largo da Cruz”, “Imperatriz” da Rua do Barro; e “Depois eu Digo”, do Tejuco, mais uma vez comandada pelo Ginego. Nessa época desfilava como bloco o sensacional “Bate Paus”, do Senhor dos Montes, que posteriormente virou uma excelente Escola de Samba.

Até o ano de 2003, São João possuía treze Escolas de Samba. Além das já citadas, tínhamos: “União”, fusão da Qualquer Nome Serve com a Escola de Samba do Bonfim; Girassol e Arco Iris de Matosinhos; Vem me Ver do Tejuco; Vira-Vira, do Bela Vista; São Geraldo; Bem me Quer, da Rua do Barro; Metralhas; Unidos da Ponte, da COHAB e Coração Rubro-Negro, que hoje virou bloco.

*Historiador e ex-presidente da Academia de Letras e IHG SJDR