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SÃO JOÃO DEL-REI, Quinta-feira, 27 de Junho de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Câmara investiga provável fraude em verba de gabinete

Documentos do vereador Jorge Hannas Salim Júnior sobre viagens no segundo semestre de 2018 e em janeiro de 2019 podem ser falsos. A informação foi passada pela Assessoria Jurídica e Setor de Controladoria da Câmara Municipal de São João del-Rei. O Legislativo, além de passar o caso para a Comissão de Ética da casa, também enviou a documentação ao Ministério Público de Minas Gerais, para que apure o caso, na forma da lei.

vOTAÇÃO PARA A COMISSÃO DE ÉTICA ESTÁ PREVISTA PARA A PRÓXIMA TERÇA-FEIRA- Foto: gAZETA

VOTAÇÃO PARA A COMISSÃO DE ÉTICA ESTÁ PREVISTA PARA A PRÓXIMA TERÇA-FEIRA- Foto: GAZETA

Os questionamentos são referentes às contas de verbas de gabinete do vereador. Nas últimas semanas, Jorge Hannas Salim Júnior devolveu cerca de R$ 8mil ao Legislativo Municipal, relativos a viagens a trabalho que alega não terem sido realizadas. Há, todavia, há documentos que atestam tais viagens, o que gera conflitos de informações na Câmara Municipal e até mesmo averiguações sobre supostas fraudes nos documentos.

VERSÃO DA CÂMARA
As supostas viagens teriam acontecido nos meses de julho, agosto e outubro de 2018 e janeiro do corrente ano. De acordo com a Agente de Controle Interno da Câmara Municipal, Flávia Tirado de Oliveira, na época, foram apresentados ao Setor de Controladoria documentos que atestavam as atividades exercidas pelo vereador. Nos últimos meses, todavia, a veracidade dos comprovantes de viagem começou a ser questionada, fato que fez o setor revisar os papéis. No último dia 29 de maio, Jorge apresentou um ofício por meio do qual promove a devolução de todos os valores e junta documentos comprovando que as viagens não foram realizadas, o que ocasionou o início imediato das apurações.

“As suspeitas começaram a ser levantadas quando analisamos novamente os documentos e foi verificada a falta de informações legíveis referentes a passagens de voos. Na época nada foi questionado pois junto a estas cópias foi entregue também declarações de que o vereador esteve em reuniões em Brasília. Até que foi devolvido o dinheiro e documentações justificando a não realização das viagens. Diante disso e do levantamento de suspeitas, fomos fazer a conferencias das situações e as datas coincidem: com visitas em Brasília e atestados médicos de que ele estaria em São João e em reuniões em Belo Horizonte. Com esta desconfiança e, como não temos capacidade técnica de avaliar a veracidade dos documentos, foi protocolado o pedido ao Ministério Público”. Flávia explica ainda que medidas administrativas internas também estão sendo providenciadas.

De acordo com a Advogada do Setor Jurídico da Câmara Municipal, Karen Campos, o Ministério Público já recebeu o protocolo e toda documentação. Além disso, uma Comissão de Ética também será formada na próxima semana, a qual também poderá apurar o caso. “Como o valor foi devolvido e ressarcido integralmente na Câmara, cabe agora o Ministério Público averiguar se não existe crime ou infração penal. Além disso o protocolo também será encaminhado para a Comissão de Ética que será formada para que ela averigue dentro de sua competência os fatos apresentados. A Comissão, a princípio, será formada por indicação dos vereadores que queiram concorrer aos cargos de presidência, vice-presidência e secretário e será votada sua criação para, posteriormente, começar a apuração desses fatos”.

JORGE HANNAS
Procurado pela reportagem do Jornal Gazeta para esclarecer o caso, o vereador Jorge Hannas Salim Júnior não quis se manifestar. Apenas alegou que não há incoerência e que as viagens não foram realizadas. Disse ainda que irá se manifestar a respeito após a Comissão ser formada, caso seja oficialmente notificado sobre a questão.

O vereador não quis se pronunciar, quando questionado sobre o porquê da demora da devolução do dinheiro. Mas de acordo com o ofício da Câmara Municipal, encaminhado ao Ministério Público, Jorge Hannas alegou que foi um descuido de sua assessoria.

Ministério Público
O protocolo para apurar a investigação foi encaminhado ao Ministério Público na última segunda-feira, 3, para as devidas análises e medidas cabíveis, caso comprovada alguma ilegalidade nas denúncias.