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SÃO JOÃO DEL-REI, Quinta-feira, 27 de Junho de 2019  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Retratos das Vertentes

Por José Cláudio Henriques

O RESGATE DA FESTA DO DIVINO

Nos primórdios do ano de 1998, um grupo de pessoas liderado pelo artista sacro Osni Paiva e Padre José Raimundo da Costa, pároco do Santuário de Matosinhos em São João del-Rei (MG) naquela data, idealizaram na integra o resgate da Festa do Divino Espírito Santo, jubileu este autorizado pelo Papa Pio VI, no ano de 1783.

Desde 1924 não se tinha festa igual, já que neste ano ela foi suspensa a pedido da Arquidiocese de Mariana, quando o festejo estava em seu auge. O fato causou grande revolta e desgosto, despertando reações na imprensa local. Segundo o Jornal Ação Social de 12/06/1924, foram pretextos para tal os jogos de azar, brigas e bailes que aconteciam no demolido Pavilhão de Exposições de Matosinhos.

A Comissão Organizadora do Resgate pesquisou os acontecimentos religiosos e profanos daquela época e programou eventos parecidos, porém, alguns com detalhes atualizados. Por exemplo, a festa em homenagem ao senhor Bom Jesus de Matosinhos que se dava em conjunto com a Festa do Divino, na data de Pentecostes, hoje se comemora no mês de setembro. Foram introduzidas a Missa Afro ou Inculturada, a dança das fitas, apresentação das pastorinhas e visitação dos grupos de Congada. À esses são servidos café pela manhã e posteriormente o almoço. Preservou-se o anuncio antecipado da festa, através de cavalgadas e programas impressos. A procissão do Imperador Perpétuo, Santo Antônio, nomeado pelos comerciantes locais foi preservada e ainda existe nos dias de hoje, saindo esta da Igreja de São Francisco de Assis, com destino ao Santuário de Matosinhos, passando pelo bairro Matola, que na época era a única via de acesso ao Arraial de Matosinhos. Em todos os eventos da festa era e ainda é obrigatória a presença do Imperador da Festa, este nomeado por uma comissão. O Imperador sempre se apresenta de terno, gravata, carregando as insígnias do Divino, composta de coroa, cetro e salva. O momento de delírio da festa naquela época eram as cavalhadas com artistas vindos de diversas regiões de Minas Gerais. A festa se dava de dia e de noite, com iluminação à tochas. Barracas de jogos e comidas se davam aos montes. Alugavam-se casas por temporada a preços salgados. Naquela época, século XVIII e XIX a festa religiosa era recheada de eventos surpreendentes como a exposição de onças e leões enjaulados, faquir deitado em cama de pregos etc.

O Jornal Ação Social de 03/06/1917 anunciou que o trem da Oeste, rodando dia e noite fazia quarenta e oito viagens por dia, carregando cerca de 11.000 passageiros.

O lado religioso sempre foi acompanhado com muita fé. Até hoje celebra-se a novena, o tríduo final, sendo que as cerimônias encerram-se com a Missa Solene normalmente presidida pelo Bispo Diocesano, acompanhada com a bênção do Santíssimo e a Procissão Luminosa. Atualmente, o Pároco do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos é o Padre José Bittar.

*Historiador e ex-presidente da Academia de Letras e IHG SJDR