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SÃO JOÃO DEL-REI,  •  Ano XXI  •  O Jornal do Campo das Vertentes

Pelas Esquinas – Tópicos

LAMENTÁVEL
Às treze horas da terça-feira passada foi enterrado no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, meu amigo Carlos Alberto Ratton, roteirista e dramaturgo dos mais talentosos do país, mineiro nascido em Divinópolis, mas com raízes da família Ratton em São João del-Rei.
Ratton começou sua carreira nas artes cênicas em 1966, nos primórdios do Teatro Experimental, quando Jonas Bloch e eu, com o objetivo de formar novos atores para o nosso grupo teatral, decidimos criar um Curso Intensivo de Preparação de Atores. Deste curso, dois dos alunos permaneceram no Teatro Experimental: José Maria Amorim, para sempre; Carlos Alberto Ratton, por um bom tempo, até decidir-se pela arte cinematográfica e pela dramaturgia e teledramaturgia. E logo conquistou sua primeira façanha, em 1972, ao receber o Prêmio Molière, de dramaturgia e de envergadura nacional, pela sua peça “Dorotéia vai à guerra”, encenada no Rio de Janeiro numa encenação dirigida por Paulo José e protagonizada por Ítalo Rossi e Dina Sfat. Ratton foi o único dramaturgo mineiro agraciado com o Prêmio Molière.
Em 1967, quando o Teatro Experimental encenou “Oh!Oh!Oh! Minas Gerais”, sucesso por dois anos, até ser a primeira peça teatral a ser proibida pela censura do Regime Militar no dia 13 de dezembro de 1968, justamente no dia em que entrou em vigor o Ato Institucional Número 5 (AI5), Carlos Alberto Ratton foi o assistente de direção do espetáculo dirigido por Jonas Bloch e por mim.
A carreira de Carlos Alberto, vitoriosa, culminou com sua novela “Mandacaru”, em 1997, um dos maiores sucessos da extinta TV Manchete. A novela tinha como pano de fundo a época dos cangaceiros, só que era ambientada após a morte do casal Lampião e Maria Bonita. O cenário era a fictícia cidade de Jatobá. “Mandacaru” foi uma novela bastante longa, com 259 capítulos. Dez anos depois do lançamento da novela, a Bandeirantes adquiriu os direitos e realizou uma nova exibição da obra prima de Ratton.
Mas o mineiro Carlos Alberto não ficou só no Brasil, como roteirista de cinema, dramaturgo e teledramaturgo: foi também o autor de uma novela especial para a TV Portuguesa.
No cinema, seu roteiro mais conhecido é o que escreveu para o filme “Amor e Cia.”, dirigido por seu irmão, Helvécio Ratton, e que foi filmado aqui, em São João del-Rei em 1998 estrelado por Marco Nanini e Patrícia Pillar.
Com seu inegável talento, Carlos Alberto Ratton ainda escreveu episódios de “Você decide”, da TV Globo, e “Brava Gente” da SBT.
Amigos de sempre, nunca deixei de manter contato com Ratton, seja por email, seja pelos encontros noturnos no Restaurante e Bar do Minas Tenis Clube na Rua da Bahia em Belo Horizonte, onde púnhamos o papo em dia discutindo sobre nosso assunto de preferência, as artes cênicas.
A perda de Carlos Alberto Ratton, numa trágica descoberta de um câncer de pulmão silencioso e perverso, trouxe-me dias amargos nesta semana. É muito triste a perda de amigos de longa data. Minas perdeu um dos seus mais talentosos dramaturgos e roteiristas, perda que é também do Brasil.

FESTIVAL
O Festival de Inverno já vem por aí. Está chegando. É bom estarmos todos preparados para prestigiar os eventos desta iniciativa vitoriosa da UFSJ. Cultura sempre foi e continua sendo o outro nome de São João del-Rei.